Psicologia econômica

Psicologia econômica

Você pode não notar, mas em toda decisão que toma tem muito do emocional dizendo para o racional o que fazer. O mesmo vale quando você decide comprar, vender, poupar, doar e até se endividar. Há mais de 100 anos o estudo da psicologia econômica vem cruzando informações para entender o comportamento humano quando o assunto é economia e emoção. Aqui no Brasil, esse campo da psicologia é mais recente.

A psicanalista Vera Rita de Mello Ferreira é uma das precursoras dos estudos por aqui e tem dois livros sobre o assunto - Psicologia Econômica (Ed. Campus/Elsevier, 2008) e Decisões econômicas - você já parou para pensar? (Ed. Saraiva, 2007). É professora da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP.

Segundo ela, esse campo da psicologia estuda o comportamento de indivíduos, grupos e populações, com foco nas decisões que são tomadas. "Ele quer entender como a cabeça funciona, como as pessoas percebem, avaliam e, de fato, escolhem", completa.

Esse tipo de estudo e noção é importante porque, muitas vezes, as pessoas se esquecem completamente da razão na hora de comprar. "E olham apenas para os anúncios e não para suas contas bancárias", alerta. Mas Vera Rita diz que a propaganda e o marketing não são os vilões dessa lógica. "Nós não precisamos ser convencidos de nada e acreditamos naquilo que queremos para satisfazer o prazer imediato", afirma. E lado emocional prevalece sempre sobre o racional, independente de sexo, formação ou nível social. "A satisfação no curto prazo é o objetivo".

Como fica impossível separar o emocional do racional, a psicanalista, que também trabalha como consultora, recomenda que cada um conheça seu próprio funcionamento mental e a maneira como toma as decisões. "Algumas pessoas precisam, por exemplo, esconder de si mesmas o cartão de crédito ou o cheque, se sabem que tem um comportamento impulsivo ou compulsivo", ressalta.

A importância do estudo da psicologia econômica pode seguir em duas grandes direções. Uma se trata da conscientização do empoderamento da população. "Conhecendo armadilhas e se dando conta das próprias vulnerabilidades, as pessoas vão consequentemente administrar melhor sua vida financeira", explica. A outra direção diz respeito à coletividade e à gestão pública. Avaliando como os fatores psíquicos envolvem os fenômenos econômicos, a elaboração e implementação de projetos e políticas públicas, por exemplo, tem mais chance de dar certo.


Com a população bem informada ela se "emancipa" e é mais capaz de fazer escolhas favoráveis - e até aprender com elas. Hoje, a rede de pesquisadores por aqui caminha para realizar esse sonho que Vera admite ter: colocar a psicologia econômica a serviço da promoção do desenvolvimento do país e de seus cidadãos.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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