Protestos mudam rotina dos brasileiros

Protestos mudam rotina dos brasileiros

Foto: Tanya Constantine/Corbis

Desde o mês passado uma série de manifestações tem tomado conta das cidades brasileiras. Grupos das mais variadas ideologias convocaram a população a sair às ruas para exigir melhores condições dos serviços públicos e mudanças significativas na política do país.

Os protestos, quando foram pacíficos, tomaram conta das ruas e acabaram atrapalhando o trajeto tradicional de carros e ônibus. Quem não participou ativamente dos atos sentiu-se prejudicado de alguma forma. Teve gente que foi obrigada a procurar caminhos alternativos e sofrer com os altos congestionamentos, ou até mesmo que precisou descer dos ônibus e fazer um longo trajeto a pé.

Quem passou por isso foi a jornalista Angelica Lima. Ela mora em São Bernardo do Campo, região do ABC. Ela trabalha numa rádio no Riacho Grande, também no Grande ABC, e pega a Rodovia Anchieta todos os dias, de carro ou de ônibus. No dia em que os caminhoneiros encabeçaram as manifestações a rotina de Angelica sofreu sérias alterações.

"Levo 15 minutos do meu trabalho até a minha casa. Naquele dia peguei carona com uma amiga e, após 10 minutos de trajeto, o trânsito na Anchieta parou. Ficamos das 13h10 até 15h dentro do carro sem sair do lugar", lembra. Cansada, a jornalista desceu do carro e decidiu ir para a casa a pé. Foram quase cinco quilômetros de caminhada. "Minha amiga demorou ainda mais, pois teve que mudar totalmente o trajeto", conta.

Com medo de sofrer com as manifestações do dia 11 de julho, a jornalista saiu de casa bem mais cedo e chegou ao trabalho com mais de uma hora de antecedência. "Fui de carro e voltei de ônibus. As ruas estavam tranquilas e não tive problemas para chegar em casa", comemora.

Angelica é a favor das manifestações, mas pensa que elas precisam ser mais organizadas. "Sem uma ordem, o próprio cidadão sai prejudicado, aí vira bagunça. É preciso saber utilizar essa arma para atingir o objetivo proposto. Afinal de contas, enquanto o povo sofre com os protestos, os políticos estão andando de helicópteros".

Entretanto, as manifestações não resultam apenas em congestionamentos e bloqueio de rodovias. Grupos de vândalos aproveitam as iniciativas pacíficas para fazer arruaças e saques. Lojas de rua e agências bancárias já foram duramente prejudicadas por conta de pichações e depredações. Só no Rio de Janeiro, os prejuízos diários chegaram a R$ 350 milhões.

Em São Bernardo do Campo, a manifestação ocorrida no dia 01 de julho prejudicou o Shopping Metrópole. O estacionamento externo foi depredado e dois carros de clientes foram danificados. Em comunicado, o empreendimento disse que fechou suas portas durante os atos para garantir a segurança de funcionários e clientes e acionou a polícia para dispersar o grupo. O shopping possui uma seguradora que se encarregará de arcar com os prejuízos.


Pelo Brasil outras empresas tomaram medidas preventivas. Ao saber das manifestações marcadas para o dia 01 de julho, muitas lojas e agências bancárias protegeram suas fachadas com tapumes e grades.

Juliana Falcão (MBPress)

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