Projeto "Tem Quem Queira": lixo transformado em moda

Lixo fashion

Foto: Divulgação

Já pensou quais problemas ambientais o descarte irregular de lonas e banners pode causar? Chega a ser toneladas de material plástico extremamente resistente jogados nos lixões. Adriana Gryner, dona de uma agência de eventos corporativos, criou um fim, ou melhor, um novo começo para estes materiais. Ela ainda conseguiu juntar à iniciativa ambiental ações econômicas e sociais.

Há quase quatro anos, Adriana Gryner criou a ONG "Tem Quem Queira". A organização tem como objetivo dar um novo destino para as lonas e banners usadas em eventos e promoções. Com o material são fabricados diversos objetos, como bolsas, pastas, cestos e sacolas.

Ao pensar em qual lugar poderia buscar mão-de-obra que necessitasse de oportunidade, Adriana encontrou a resposta em presídios do Rio de Janeiro. "Não queria simplesmente fazer bolsas, pastas e capas, mas sim incluir um fundo social e econômico", diz a fundadora. A "Tem Quem Queira" também foi buscar a mão-de-obra na comunidade pacificada Morro do Turano, na Zona Norte da capital fluminense.

Coleção Isabela Capeto

A ONG desenvolveu parcerias com estilistas conceituados. Entre outros projetos, Isabela Capeto participou da linha Casa. São modelos de bolsas pensados pela profissional e confeccionados por presidiárias que cumprem pena por crimes passionais (aqueles cometidos no calor da emoção, geralmente motivados por paixão desregrada). Em janeiro de 2012 algumas peças foram exportadas para os Estados Unidos. "Desde 2011, Isabela cria os modelos e a ONG desenvolve. Para a exportação os produtos passaram por um rigoroso teste de qualidade", comenta Adriana.

Isabela não poupa elogios às colegas da "Tem Quem Queira". "Já temos um ano e meio de parceria, a ONG faz um trabalho muito legal, é extremamente profissional e organizada, a entrega é ótima e há comprometimento. Sempre que surge algo eu procuro chamá-las", diz a estilista. Entre as peças produzidas nesta parceria estão bolsas e nécessaires e há expectativas de desenvolver outros produtos.

"Já fizemos mais de uma leva de peças de coleções periódicas. Há coisas que a Isabela imagina que não fica tão bom em lona e outras não conseguimos chegar ao que ela idealizou. No entanto, há coisas que combinam e casam muito bem, por exemplo, bolsas, pastas, cestas de roupa suja e porta-vinho", diz a fundadora. Os estilistas Marzio Fiorini e Renata Abranchs também já trabalharam em parceria com a "Tem Quem Queira".


Hoje a ONG conta com 40 funcionários, sendo que 80% deles estão divididos em três oficinas. Em mais de três anos já passaram cerca de 200 detentos ou ex-presidiários. Adriana atribui o sucesso da "Tem Quem Queira" à qualidade e ao designer das peças. "Nós trabalhamos para ser uma organização competitiva. Quero que as pessoas comprem porque gostam e acham que vale, e não para ajudar os ‘coitadinhos’", afirma Adriana Gryner.

Por Bianca de Souza (MBPress)

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