Natal - como presentear sem prejuízo para o bolso!

Natal  como presentear sem prejuízo para o bolso

Não tem jeito. Por mais que se tente economizar nos presentes de Natal, sempre acabamos gastando mais do que prevíamos! Culpa da família, que é grande, dos amigos que não podem ficar de fora e, claro, dos preços que nem sempre são possíveis de serem pesquisados...

Bom, o resultado disso tudo é que o salário de dezembro pode acabar bem antes do fim do mês e comprometer até as contas fixas do período. Para fugir desta situação, é preciso planejar muito bem seu orçamento e aí, quem sabe, você encontra a fórmula ideal para presentear quem você ama sem causar prejuízos para o bolso! Veja as dicas do educador financeiro Mauro Calil.

- Comprar presentes de Natal aparece como "obrigação" no último mês do ano. Como as famílias devem organizar seu orçamento para mais esta despesa?

Calil - A demonstração de carinho materializada em um presente é comum. No entanto, não é o custo do presente que denotará o valor do amor, carinho ou afeição, mas sim a energia colocada na intenção. Lembro que os melhores presentes que recebia de minhas avós eram justamente meus pratos preferidos na ceia.

Comece elencando quem realmente você gosta e que é importante para você. Use a criatividade e o coração. Um livro com uma bela dedicatória pode fazer a pessoa querida lembrar de você pelo ano inteiro com carinho.

- Para quem tem crianças em casa, o momento de confraternização corre o risco de torna-se uma grande preocupação. Nesta época, os pequenos sempre manifestam desejos por presentes mais significativos sob o ponto de vista financeiro e, muitas vezes, os pais também desejam presentear melhor no Natal. Como conciliar o prazer da compra com o poder da compra?

Calil - Limites devem ser colocados às crianças desde sempre. Crianças não nascem com valores equivocados do ponto de vista financeiro, mas sim aprendem isso com os pais. Se as crianças dão maior importância à marca da bicicleta que a diversão em si, devem ter aprendido isso com os pais. Momento de refletir e de, talvez, mudar de atitude. Grande parte do valor de presentes caros ofertados nesta época aos pequenos pode e deve ser destinado a garantir seus estudos no futuro, seja através do depósito em uma caderneta de poupança, seja por meio de investimentos mais sofisticados. Temos pouquíssimas lembranças de nossos presentes de Natal durante a infância, mas total recordação da faculdade que estudamos. Esta sim faz diferença em nosso futuro e felicidade.

- Bom, aí tem o restante da família: avós, tios, irmãos... Qual seria a melhor alternativa para o bolso: organizar um amigo secreto? Substituir bons presentes por lembrancinhas?

Calil - O amigo secreto é outra alternativa para famílias mais numerosas. Nada de estipular valor mínimo, afinal todos têm o bom senso de saber que irão trocar o custo de 10, 12 presentes por somente um. O ritual da brincadeira é muito mais divertido e une muito mais a família que somente a entrega de pacotes.

Lembrancinhas só para os mais distantes que venham visitar sua casa neste momento. Algo como o que já é hábito nas maternidades ou nos casamentos.

- Muita gente acaba lançando mão do bom e velho cartão de crédito na hora de comprar os presentes de Natal. É uma boa idéia? Quais os riscos e os cuidados nesta hora? O mesmo vale para o cheque especial?

Calil - Os meios de pagamento podem ser aliados ou algozes. Quem determinará isso é o proprietário do cartão ou do talão de cheques. Usar o cartão de crédito dentro do limite de 50% de sua renda líquida pode ser uma boa alternativa. O cheque especial deve ter limite pequeno, no máximo 10% de sua renda líquida. Em ambas situações, você só está postergando o pagamento. Lembre-se: a conta virá!

- Para quem não tem condições de comprar os presentes de Natal à vista, parcelar os gastos é uma saída?

Calil - Parcelar é o mesmo que usar outro meio de pagamento, ou seja, a conta virá e neste caso com juros (pior ainda). Escolha presentes mais baratos ainda que significativos, cartões, artesanato que pode ser feito por você mesma. Diminua também a lista de presenteados mantendo o foco nas pessoas mais próximas.

- O Natal poderia ser uma boa forma de levar um pouco de educação financeira às crianças, alertando-as sobre o consumo excessivo e o controle de gastos? Como esse alerta deve ser abordado pelos pais?


Calil - Sim, sem dúvida. Envolve-las nas compras dos presentes e na elaboração da festa e da ceia pode gerar educação financeira. Mas cuidado para não temperar a conversa com avareza. Isso não leva a nada. Mostrar que ao trocar um peru por dois chesteres a família gastará menos com a compra e ainda terá quatro coxas na ceia é uma grande lição de como administrar melhor os recursos de modo a ter mais gastando menos. Isso é educação financeira.

Por Adriana Cocco

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