Poupança: entenda a nova proposta do governo

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Poupança entenda a nova proposta do governo

As mudanças que envolvem a cobrança do Imposto de Renda (IR) sobre a aplicação na caderneta de poupança só vão funcionar em 2011. Mesmo assim restaram muitas dúvidas depois do anúncio do governo de que o desconto do IR apenas vai ocorrer sobre o rendimento que exceder 50 mil reais.

Conforme o Ministério da Fazenda, haverá recolhimento na fonte para os créditos de rendimentos realizados a partir de fevereiro de 2010. A consolidação da tributação relativa aos rendimentos recebidos em 2010 ocorrerá na declaração anual de ajuste de 2011.

A consultora financeira Suyen Miranda dá um exemplo através da seguinte simulação:

“O desconto de IR sobre a poupança só ocorrerá sobre o rendimento do que exceder R$ 50 mil. Dessa forma, quem tiver saldo de R$ 55 mil pagará imposto apenas sobre o rendimento mensal de R$ 5 mil. Atualmente, o valor (teto) é de R$ 200 mil”, explica.

Conforme o Ministério da Fazenda, a retenção do Imposto de Renda na fonte ocorrerá a partir de fevereiro de 2010, mas apenas quando a parcela do rendimento da poupança a ser tributada for superior ao piso de R$ 1.499,15 por mês, ou então acima de R$ 17.989,80 em 2010 (incluindo salários, aplicações e demais rendimentos).

Dessa forma, só haverá o recolhimento, no entanto, caso o contribuinte aplique pelo menos R$ 1,5 milhão na caderneta, com a taxa Selic no nível atual, de 10,25% ao ano. Na prática isso significa que um número muito reduzido de pessoas que hoje não apresentam declaração de imposto de renda terá que passar a apresentar declaração em função das novas regras da poupança.

Ainda segundo o ministério, o principal objetivo da medida é evitar que grandes investidores migrem para a poupança, uma forma de garantir a estabilidade econômica e manter a taxa básica de juros, Selic, que está em 10,25%.

Em uma matéria publicada no site do Ministério da Fazenda, o ministro Guido Mantega diz que a intenção do governo é evitar que grandes investidores utilizem a poupança como instrumento de especulação, provocando distorções, e também manter o cenário econômico consistente que permita mais quedas na taxa de juros.


A consultora afirma que mesmo com as mudanças, ainda assim a poupança é uma boa opção de investimento. “A regra de "evitar colocar todos os ovos na mesma cesta" também se aplica aos investimentos, portanto é bom diversificar quando temos valores acima de R$ 50 mil. A longo prazo, a poupança continuará sendo uma excelente alternativa tanto para quem tem pouco quanto para quem tem muito, pois é uma boa opção para diversificação de uma carteira de investimentos”, explica.

Mais do que isso, segundo Miranda, a poupança tem sido, nos últimos 12 meses, uma das melhores opções de investimento tanto para quem tem pequenas quanto grandes reservas. “A poupança valida o sistema econômico atual, pois é quem fomenta os empréstimos de longo prazo para os setores produtivos. Portanto, qualquer movimentação que a comprometa certamente o governo não irá propor", finaliza.

Por Juliana Lopes

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