Planejamento financeiro: o fim da guerra pelo dinheiro

Planejamento financeiro o fim da guerra pelo dinhe

Já foi o tempo em que a esposa ficava em casa cuidando dos filhos enquanto o marido era responsável por colocar comida na mesa e pagar as contas. Hoje os papéis destinados aos homens e mulheres são bastante parecidos. Os dois precisam trabalhar para garantir o sustento da família e o bom andamento da casa.

Garantir o pagamento das contas que enchem a caixa do correio todos os meses é uma tarefa que nem sempre é simples. Ainda mais quando o casal se uniu há pouco tempo e tem um montão de coisas para organizar e preparar.

Pensando em evitar brigas desnecessárias entre os casais, o Diretor Executivo de Planejamento e Finanças Pessoais da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (ANEFAC), Louis Frankenberg, diz que a primeira coisa a ser feita é planejamento.

Isso antes mesmo de morar junto. "Antes de qualquer coisa, é preciso que os dois tenham características e objetivos semelhantes quanto ao futuro do casamento. Cerca de 80% das relações chegam ao fim direta ou indiretamente por causa do dinheiro".

A divisão das despesas se dá de acordo com a facilidade que um ou outro tem de lidar com o dinheiro. Se o homem tem mais tato com o assunto, pega para si a responsabilidade de administrar as finanças da casa. Caso contrário, a mulher pode exercer essa função. Mas isso não significa que o cônjuge não possa participar desse processo. "A ‘panelinha’ do dinheiro deve ser administrada em conjunto. O relacionamento não funciona quando cada um segue uma determinada direção".

Frankenberg explica citando um exemplo: "Um quer comprar um automóvel. O outro quer alugar um apartamento. Não dá. Só pode fazer uma das coisas. Por isso, antes de juntar os trapos, é necessário estabelecer prioridades para evitar brigas futuras".

Para que a esposa evite gastar o dinheiro do casal com coisas que o marido acha irrelevante, ou vice-versa, o especialista sugere que o casal tenha contas individuais, para a compra de coisas pequenas, e uma conjunta. Esta deve ser usada para as despesas da casa e programas que beneficiem os dois. "Uma viagem no fim de semana, por exemplo, pode ser paga com o dinheiro da conta conjunta". O valor que cada um deve depositar nessas contas deve ser definido pelos dois. "Cada um pode reservar 10% do salário para a conta individual. Mas não há uma regra. É preciso que os dois cheguem a um consenso", declara.

Um dos grandes pontos de discórdia entre um casal é o cartão de crédito. Mas Louis tenta suavizar o problema usando o mesmo princípio da divisão de contas. "As coisas pequenas e individuais podem ser pagas com o cartão de cada um. Mas a compra de móveis para casa precisa ser feita em conjunto", diz.

Quem garante que nunca brigou por conta de dinheiro são o engenheiro Dirceu Sabino Maciel e a bancária Cassiana Maciel. Casados há seis anos, os dois se entendem muito bem sem precisar de conta conjunta ou rachar as contas no meio. "Não temos uma poupança. Cada um tem sua conta corrente e nos ajudamos na hora de pagar as despesas", explica o marido. "As contas de condomínio, luz, telefone eu assumo. A Cassiana paga a diarista. E como recebe vale-alimentação da empresa, eu complemento as despesas do supermercado", declara.

Ambos têm carro e celular e cada um paga o seu. Quando viajam, eles dividem as despesas de diferentes maneiras. Cassiana compra as passagens e Dirceu paga a hospedagem e o que mais for necessário. "Outro exemplo foi a reforma de nossa casa. Minha esposa comprou as tintas e eu paguei o pintor. Já para renovar o nosso sofá, ela escolheu o tecido eu vou ajudá-la a pagar o serviço", explica. A bancária apóia a divisão: "Dessa forma, um não se intromete na vida financeira do outro". Dirceu complementa: "Não fazemos uma soma para saber quem ganha ou perde. Simplesmente nos ajudamos e nos policiamos para que ninguém entre no vermelho".

Outro caso semelhante é o do profissional de vendas Valter Perez e da fisioterapeuta Fernanda Andrade. Casados há seis meses, eles também se ajustaram ao esquema da cooperação. "Como não recebemos no mesmo dia, decidimos programar o pagamento das nossas faturas para determinadas datas. Assim, um fica responsável pelas faturas que vencem no começo do mês e outro assume as demais", explica o marido.

Os dois possuem contas individuais e uma conta conjunta, destinada exclusivamente ao pagamento do financiamento do apartamento. "Temos o princípio de que tudo é nosso. Então separamos as contas por datas, e não por nomes. Nada impede que um pague a fatura do cartão do outro, por exemplo", conta Valter.

Mesmo com essas divisões, o especialista não dispensa o uso do caderninho para que o casal possa acompanhar os gastos realizados ao longo do mês de maneira minuciosa. "As decisões que envolvem dinheiro não podem ser tomadas de forma súbita. É preciso levar a sério esse aspecto da vida", afirma.


Frankenberg aproveita para fazer uma crítica à mudança de comportamento de alguns casais atuais, que vivem somente o dia de hoje e não se preocupam em guardar dinheiro ou pensar em conjunto: "É por meio de atitudes como essas que acontecem as inadimplências, discussões e separações. A harmonia financeira num relacionamento chega ao fim justamente quando não há planejamento".

Por Juliana Falcão (MBPress)

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