Pagou só a parcela mínima do cartão? Cuidado!

Foto: Wavebreak Media Ltd./Corbis

De acordo com dados da empresa de consultoria Serasa Experian, a inadimplência do consumidor brasileiro encerrou o primeiro semestre de 2013 com alta de 5,6% em comparação com o mesmo período de 2012. As dívidas com cartões de crédito, financeiras, lojas em geral e prestadoras de serviços foram as principais responsáveis pelo crescimento nos primeiros seis meses do ano, com variação de 12,6%.

No caso dos cartões de crédito, as dívidas não estão apenas relacionadas às pessoas que compram desenfreadamente e depois não conseguem pagar. Mas também àquela parcela de brasileiros que, quando está com dificuldade financeira ou por pura mania mesmo, acaba pagando somente a parcela mínima do cartão, que equivale em média a 20% da fatura. Só que tem um problema: em cima do valor restante incidem juros que podem chegar a 13%.

"Vamos dar um exemplo: a fatura é de R$ 800 e o cliente paga apenas a parcela mínima, ou seja, R$ 160. Na fatura seguinte ele vai se programar para pagar R$ 640, mas se esquece de incluir os juros de 13%, fazendo com que a fatura chegue a 723,20", explica Carlos Henrique de Almeida, economista da Serasa Experian. "A política econômica de combate à inflação é via aumento de juros. Assim, os encargos que incidem sobre o cartão ficam cada vez mais altos."

Caso a pessoa não use mais o cartão de crédito e vá pagando apenas a parcela mínima, em um ano o saldo dela será de R$ 1.172,20 e ainda estará devendo R$ 238,29. É um valor muito elevado para quem inicialmente tinha que pagar apenas R$ 800. "O pagamento mínimo deve ser feito apenas em caso de emergência, porque é caro. É o mesmo caso do cheque especial. É um financiamento, logo, incorrem encargos que deixam a dívida maior do que já é."

Quem se perde nas compras e na hora não consegue arcar com a fatura tem a opção de parcelar em 10, 12 vezes sem juros. Mas o economista não recomenda. Sabe por quê? O cliente paga a primeira parcela e continua fazendo dívida, sem se lembrar que na próxima fatura, além do valor gasto ao longo do mês, vem a segunda parcela do saldo anterior. "Aí, sem dinheiro, ele paga a fatura mínima e se enrola ainda mais". E se atrasar o pagamento gera outro tormento, porque terá que pagar também os juros de mora.

Fazer uma negociação com a empresa de cartões é possível e recomendado, mas é importante que o cliente faça as contas na ponta do lápis antes disso e tenha uma sugestão para dar ao credor. "Se deixar só na mão da empresa, ela pode refinanciar de uma forma que o cliente não consiga pagar a fatura depois e fique endividado de novo. É preciso chegar a uma proposta que beneficie os dois lados", diz Carlos Henrique.

O brasileiro ainda tem dificuldade de compreender como se trabalha com cartão de crédito. Ele é necessário, é uma comodidade, mas precisa ser usado em casos realmente emergenciais. Não é preciso quebrá-lo, basta fazer um planejamento. O economista dá uma dica: "Se você tem dificuldade de administrar o cartão, deixe-o em casa e saia com dinheiro. Quando a gente coloca nota em cima de nota dá dó de gastar. Já com o cartão é mais fácil gastar, porque você não está vendo o dinheiro em si."

Outra dica, ou melhor, alerta, é ficar longe das promoções de lojas virtuais e físicas que parcelam em várias vezes, porque o valor mensal a ser pago fica pequeno e motiva a pessoa a fazer outras comprar neste mesmo sistema, acumulando dívidas. E evite também usar mais de um cartão de crédito (se o limite de um é pouco, completa-se com o outro). No final do mês são duas faturas para pagar!

Com a criação do cadastro positivo torna-se cada vez mais importante para o cliente garantir seu espaço na lista de bons pagadores e ter boa reputação no mercado. "Em época de inflação alta, o brasileiro tem que se preocupar com o consumo. O poder aquisitivo está caindo, a inflação econômica está em passos lentos e a recuperação da renda não será intensa como nos anos anteriores. Já há uma preocupação em relação ao desemprego, então é importante que o consumidor não ultrapasse seus limites de compra", aconselha o economista.


Por Juliana Falcão (MBPress)