Os brindes que atraem mais do que os sanduíches

Quem tem filhos pequenos e mora em cidades de porte médio ou grande já está acostumado. As crianças são seduzidas pelas redes de fast-food para que consumam as famosas promoções infantis: McLanche Feliz; GiraTurma; TriKids e tantos outros. E não é o sabor que atrai. São os brindes.

Esse assunto é tão polêmico que já rendeu até ações na Justiça. Uma delas, movida pelo Ministério Público de São Paulo, no mês de março/09, questiona a atração das crianças por meio de brinquedos, que estimula o consumo de fast-food.

Vamos nos ater apenas à questão financeira, nossa área de especialidade. Ninguém é bobo de acreditar que aqueles “brindes” saem de graça. Óbvio que não. O custo está embutido no preço. Basta comparar o valor dos kits infantis com os lanches para adultos. Os infantis são menores e mais caros. Os brinquedos, a embalagem especial, a publicidade, tudo encarece o produto. E adivinhe quem paga a conta?

É normal as crianças sentirem vontade de consumir aquela promoção. Entenda-se por promoção o conjunto do lanche mais o brinquedo. Mas é preciso estar ciente que aquilo tem um custo adicional. O problema pode vir no excesso. Na frequência e nas exigências que as crianças fazem de querer completar as coleções. Isso mesmo. Os tais brindes sempre integram uma coleção.

Muitas vezes as crianças não escolhem a lanchonete pelo sabor do lanche. Fazem pela coleção de brinquedos do momento. E os pais não levam em conta o preço de uma rede de lanchonetes ou outra. Deixam-se convencer pela pressão das crianças.

O razoável seria os pais esclarecerem às crianças sobre o funcionamento dessas promoções, combinar regras, estabelecer limites e pesquisar alternativas de lanches mais baratos, de brindes mais úteis. Não vejo problema em aproveitar a oportunidade para condicionar o consumo desses produtos ao bom desempenho escolar. Não o contrário. Já que é difícil enfrentar a pressão, melhor tirar proveito.

Seria estupidez de minha parte querer combater esse hábito. Faz parte da vida urbana moderna nas grandes cidades. Faço apenas o alerta para que tomemos consciência do quanto representam esses brindes na conta. Algumas vezes vale mais a pena comprar um brinquedo, um livro ou outro presente.

O mesmo vale para outros produtos, como no caso do chocolate na Páscoa. Não havia brinde que compensasse tamanha diferença de preços entre chocolates no formato de ovos e as tradicionais barras. E os tênis que brindam carrinhos, adesivos, bonés. As bonecas que trazem pulseiras iguais para elas e para as meninas.


Esses brindes, na verdade, são elementos para distrair a nossa razão e fazer com que, como consumidores, tomemos decisões com a emoção. Convenhamos que algumas vezes é até bom ser mais emocional do que racional. Certas vezes até nas compras, quando nos permitimos prazeres a mais que a razão costuma nos tolher. Mas essa não pode ser a regra. A razão deve prevalecer na administração do nosso suado dinheirinho. O importante é estar atento a esses artifícios do comércio para não ser iludido.

O melhor brinde que podemos dar a nós mesmos e a nossas crianças é a educação financeira. Consumo consciente faz parte da cartilha. E é tão importante preservar a natureza quanto nosso bolso. E nossos filhos precisam ser orientados nesses dois sentidos.

Bom proveito e Prosperidade a todos!

Álvaro Modernell é colunista de Finanças Pessoais do Vila Sucesso. Palestrante, consultor, autor de livros e sócio da Mais Ativos Educação Financeira, esse especialista te ajudará na tarefa de lidar com o dinheiro

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