Orientação financeira para elas

Orientação financeira para elas

Você sabia que as mulheres gastam menos do que os homens, mas fazem compras mais habituais e são mais conservadoras ao investir? Segundo Sinara Polycarpo Figueiredo, superintendente de Advisory do Grupo Santander Brasil, elas ainda costumam comprar por impulso, mas na hora de aplicar, são as que ponderam mais. “Enquanto os homens preferem gastar com carros e equipamentos tecnológicos, as mulheres fazem gastos menores, de curto prazo, mas mais frequentes, como roupas, sapatos e tratamentos estéticos. Não há nenhum problema nisso, desde que se faça uma reserva mensal antes de gastar. O principal desafio é poupar”, afirma.

Segundo ela, que é a responsável pelo aconselhamento financeiro de investidores do Grupo, a poupança pode ser modesta, mas tem que ser encarada como uma prestação mensal, tanto quanto outras despesas fixas. “É para o futuro. Somente depois de fazer esta reserva, você deve permitir gastos com outras finalidades, planejando-se melhor e priorizando o que realmente é importante”, orienta. A dica de Sinara é simples. Guarde pelo menos 10% daquilo que ganha. E não adianta usar a velha desculpa do ‘não sobra’. “A lógica precisa ser inversa. Primeiro você guarda. E apenas se sobrar, você gasta”.

Em tempos de crise, Sinara recomenda um esforço durante um período para que a reserva atinja pelo menos seis vezes o valor dos gastos mensais. Neste caso, se uma pessoa tem gastos fixos de R$ 2 mil por mês, deve procurar alcançar uma poupança de R$ 12 mil. “Esta reserva deve ser destinada a aplicações conservadoras, como poupança, CDB ou fundos de renda fixa. Apenas depois disso é que deve procurar outras opções de investimento, como ações e fundos multimercados”, sugere.

Para os casais, vale a regra dos opostos: se o marido faz investimentos arrojados, a mulher pode optar por conservadores e vice-versa. Na hora de decidir, o diálogo é muito importante para que não apenas uma das partes faça sacrifícios para guardar dinheiro. “As decisões devem ser compartilhadas em torno de objetivos comuns”. E é preciso ensinar os filhos desde cedo. “Com as taxas de juros cada vez menores, quanto antes se começar a guardar, melhor”.

Mas para aquelas que não conseguem poupar, a dica é anotar todas as despesas do dia: cafezinhos, almoço, revista, remédios. Assim é possível ter controle dos gastos e cortar os supérfluos. E vale a pena estabelecer um limite para todas as despesas. “Anotar por no mínimo 30 dias, identificar onde estão as despesas que poderiam ser evitadas e planejar de modo que o primeiro ‘gasto’ seja com a poupança é ideal”.

Sinara lembra ainda que é importante usar os créditos disponíveis nos bancos a seu favor. Cheque especial, apenas para emergência. “Se precisar de recursos por mais tempo, procure linhas de crédito mais adequadas e com taxas menores, como o crédito pessoal”, afirma.

Ela aconselha ainda destinar parte do salário para um plano de previdência que oferece um benefício fiscal (desconto no imposto de renda) importante no longo prazo. “Como nesse caso estamos falando de longo prazo, é recomendável buscar planos de previdência que mantenham parte de sua carteira investida em ações, porque podem ser mais rentáveis”, sugere a executiva.


Sinara diz que a clientela investidora ainda é predominantemente masculina, consequência de um comportamento das gerações passadas. “Mas nas próximas décadas isso deve se equilibrar, com as mulheres mais presentes no mercado financeiro. Hoje elas são minoria e mais conservadoras”. Quando a mulher se interessa por determinado investimento, ela estuda e consegue ganhar dinheiro. “Elas demoram mais para ir para a bolsa, por exemplo, mas vão mais fundamentadas. E se estudam, ganham mesmo”.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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