Oneomania - Devedoras compulsivas

Oneomania  Devedoras compulsivas

Outro dia falamos aqui sobre o ato compulsivo de comprar. Este mal que afeta uma parcela da população pode chegar ao estágio de doença, conhecida como oneomania. A psicóloga Tatiana Filomensky, que atua no Ambulatório de Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, trabalha com o tema há cinco anos. "A compra compulsiva se dá por uma questão emocional. Vivemos em um mundo consumista e o ato de comprar muitas vezes funciona como um remédio, um alívio. E como a pessoa é bem tratada ao entrar em uma loja, sente-se importante, o que não costuma acontecer no cotidiano".

Segundo Tatiana, as mulheres ainda são maioria quando o assunto é compra compulsiva por questões culturais. "A mulher sempre fica responsável pelas compras da casa e da família. Ela é que vai ao supermercado, ao shopping e compra presentes para todos os parentes. Sem contar que acaba se endividando comprando artigos que compõem sua identidade, como roupas e acessórios", comenta a psicóloga. "Entretanto, e mulher busca mais tratamento do que os homens. Ela aceita mais o fato de estar com o problema e vai em busca de soluções", ressalta.

Quem possui parentes com vícios semelhantes, seja em compras ou em bebida, por exemplo, pode sim desenvolver doenças como a oneomania. Mas é importante ressaltar que a pessoa com identidade frágil também pode adquirir o problema. "A oneomania abre portas para outros problemas ainda maiores, como depressão e ansiedade. Quando se está triste, comprar pode ser uma fuga. E se a família começa a comentar a saída de quem sofre desse mal é mentir ou esconder as sacolas de compras".

O tratamento médico e psicológico contra a oneomania no Hospital das Clínicas dura cerca de cinco meses. Como a pessoa faz pós-tratamento e terapias em grupo, o processo pode se estender por até um ano. "A terapia serve para reestruturar a pessoa emocionalmente e descobrir o que a leva a comprar descontroladamente", explica Tatiana. "O mais importante é ratificar que oneomania não é algo banal. É uma doença e tem como controlar. A compradora compulsiva sente-se mal compreendida e a família não sabe como ajudar".

Quem não busca tratamento dentro de hospitais, recorre a grupos de autoajuda. Um deles é conhecido como Devedores Anônimos. O serviço é gratuito. Para conhecer melhor basta comparecer a um dos pontos de encontro na Igreja Santa Filomena, próximo ao metrô São Bento, em São Paulo. As reuniões acontecem aos sábados, das 16h às 18h. No site há outros endereços. "Hoje as pessoas estão cada vez mais cientes e dispostas a se educar financeiramente. É um assunto sério que deveria ser abordado nas escolas", comenta a psicóloga.

Quem tem ajudado pessoas de todas as idades a usar melhor o dinheiro é o educador financeiro Reinaldo Domingos. O contador é criador do Instituto DiSOP de Educação Financeira e autor dos livros "Terapia Financeira" e "O Menino do Dinheiro", este voltado para as crianças. "Dois fatores importantes contribuem fortemente para o descontrole financeiro e o endividamento: marketing publicitário e crédito fácil. Por exemplo: uma mulher vai ao cinema com as amigas. Como o filme vai começar daqui a uma hora, aproveita para dar uma olhada nas vitrines. Ao se deparar com uma sandália caríssima, entra na loja, prova o calçado e acaba levando dois pares, parcelando a dívida em 10 vezes. Com isso, compra o que não deseja com um dinheiro que não tem, contraindo uma dívida desnecessária", declara.


Domingos explica que a reeducação financeira começa com um diagnóstico. Ele serve para identificar todos os gastos feitos pelo período de 30 dias. O próximo passo é cortar o excesso de despesas, já que entre 10 e 30% do que se gasta é supérfluo. Outra dica importante para evitar o endividamento é focar os sonhos nas coisas que realmente agregam valor. "Se a moça citada no exemplo agisse dessa maneira, não focaria sua mente naquilo que tem curiosidade, comprando dois pares de sapatos que não almejava. A partir do momento que o sonho de comprar um carro ou uma casa foi maior, não haverá riscos de endividamento", diz.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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