"Onde pinga nunca seca"

Frase perfeita para abordar um dos aspectos relevantes da Educação Financeira. Ouvi ela há alguns dias de um amigo, Roberto Barroso, executivo experiente do setor financeiro, durante um bate-papo sobre fundamentos de educação financeira.

Aquela frase ficou “pingando” nos meus pensamentos até que resolvi colocar as ideias em prática. Falávamos sobre a necessidade da constância de receitas diversificadas para sustentar os custos fixos, seja no âmbito empresarial ou pessoal. Muitas empresas quebram porque desprezam pequenas receitas ou porque descuidam de garantir a continuidade das rendas. O mesmo pode acontecer com as pessoas.

A maioria dos brasileiros vive de salários. Uma única fonte de renda que está sempre ameaçada de desaparecer a qualquer momento. Não precisamos detalhar o que acontece nessa hora. Todos podem imaginar. São problemas atrás de problemas. E os problemas sempre parecem maiores quando falta dinheiro.

Resgatamos, então, um conceito que a maioria das pessoas, inclusive especialistas, aplica apenas na hora de investir. O da diversificação. Diversificar investimentos é uma ótima estratégia de investimento. Mas não devemos esquecer de diversificar, também, as fontes de recursos. Onde pinga nunca seca!

Juntemos a isso outro princípio muito difundido na área de finanças pessoais, o da renda passiva. Aquele tipo de renda que independe do trabalho e da presença do investidor, como rendas de aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, receitas sobre direitos autorais, comissões geradas por redes de vendedores, parcerias estratégicas, dividendos e outras.

Temos, então, o mapa da mina. Quem almeja independência, ou pelo menos tranquilidade financeira, deve atentar para essa necessidade de diversificação de fontes de receita, incluindo as geradas na forma de renda passiva.

Os exemplos e alternativas são vários: uso de talentos e do tempo vago; investimentos no mercado financeiro; investimento em imóveis e bens de capital; criatividade; empreendedorismo; representações comerciais; atividades profissionais complementares; participação em sociedades e muito mais.


Há muito se diz que Deus ajuda quem cedo madruga. É uma forma de dizer que o tempo deve ser bem aproveitado. Seja de manhã cedo, à noite, nos feriados, finais de semana. Estudar ou trabalhar um pouco a mais não faz mal a ninguém. Principalmente quando as contas batem à porta. Ou quando se almeja uma situação financeira melhor.

Assim como o tempo, ideias e talentos podem ser melhor aproveitados. São ótimas fontes de renda. Quando postos em prática. Nada valem se ficam no vazio. Não há nada de mais em contentar-se apenas com o salário mês após mês. Mas é preciso ter consciência de que essa acomodação é incompatível com sucesso financeiro.

Outro extremo está nos empreendedores que assumem os riscos de negócios próprios em troca da possibilidade de maior liberdade e maiores ganhos.

A diversificação de fontes de renda apresenta-se como alternativa ideal para quem flutua entre as tentações desses dois extremos. Garante-se uma renda principal, regular ou não, e busca-se o complemento, ou a superação, por meio de rendas complementares. Com a vantagem de que se alguma das fontes de renda secar, as outras podem garantir o sustento, ou a prosperidade.

Procure diversificar as fontes de renda. E não deixe de valorizar os pingos. Água mole em pedra dura...

Álvaro Modernell é colunista de Finanças Pessoais do Vila Sucesso. Palestrante, consultor, autor de livros e sócio da Mais Ativos Educação Financeira, esse especialista te ajudará na tarefa de lidar com o dinheiro.

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