O valor das moedinhas

Há muita polêmica quanto ao uso e acúmulo de moedas no Brasil. Certamente devemos respeitar diferentes opiniões, interesses e pontos de vistas, mas defendo arduamente o uso de cofrinhos e o hábito de juntar moedas.

Neste artigo coloco minha visão, como estudioso e especialista em educação financeira, para defender o uso das moedinhas como instrumento de educação financeira, tanto para crianças quanto para adultos.

Não são poucas as reclamações do comércio e de prestadores de serviço, como os de transporte público, sobre a falta de moedas em circulação. Por vezes o próprio Banco Central condena a prática do entesouramento - da guarda, das moedinhas por parte da população, justificando o alto custo de produzir e distribuir moedas em todo o território nacional. É bom lembrar que outros setores, do próprio Banco Central, comemoram o aumento da poupança nacional, uma parte derivada do hábito de poupar da população, muitas vezes enraizado a partir do uso de cofrinhos.

Deixemos de lado esses obstáculos, para focar nos benefícios que a prática de juntar moedas pode proporcionar aos “entesouradores”. Vejamos alguns benefícios dessa prática:

Para crianças

- Ajuda no ensino e conscientização sobre a importância de guardar e cuidar do que é seu, inclusive dinheiro.

- Permite exercício de planejamento financeiro para suas necessidades.

- Contribui para o exercício matemático e desenvolvimento do raciocínio financeiro;

- Propicia, de maneira indolor, a percepção da sensação de ter ou não dinheiro quando se necessita ou deseja comprar alguma coisa.

- Oferece alternativas, gastar ou poupar, ensinando-as que toda escolha implica em uma renúncia.

- Estimula o saudável hábito de constituir poupança.

- Torna disponível sua primeira opção de poupança e investimento.

- Desperta nas crianças o interesse por assuntos financeiros e ajuda a relacionar com o dia-a-dia.

- Contribui significativamente para a formação de poupança de longo prazo, aproveitando o fator tempo como alavancador.

Para adultos

- Auxiliar psicológico que ajuda a refletir sobre o gasto consciente do dinheiro;

- Melhora a aceitação do troco, quando recebido em moedas, ao invés de causar sensação de desconforto, reduzindo inclusive momentos de mau humor;

- Ajuda a juntar algum dinheiro para objetivos específicos, principalmente itens supérfluos ou relacionados a prazeres particulares;

- Contribui para realçar o valor que pequenas quantias têm quando acumuladas;

- Ajuda a valorizar cada centavo do dinheiro ganho e não gasto;

- Estímulo para exigir que sejam assegurados seus direitos, quando tentam encurtar o troco ou substituí-lo por balinhas, alegando falta de moedas;

- Instrumento que ajuda a manter presente a lembrança sobre a importância de economizar inclusive nos pequenos gastos;

- Oportunidade para tratar do assunto educação financeira com as crianças;

- Motivação para realizar planejamento financeiro;

Em qualquer situação, deve-se ter presente que:

- Dinheiro parado em casa ou no cofrinho não rende e fica sujeito a riscos de perda, roubo, etc. Por isso, deve-se programar freqüentes conversões e depósitos dos valores acumulados.

- Há estabelecimentos que dão preferência e premiação adicional para clientes que apresentam volumes consideráveis de moedas em suas compras.

- O Real efetivamente possui valor, assim como suas frações, as moedas.

- É melhor juntar um pouco do que não juntar nada.

É por isso que defendo com convicção o estímulo ao uso de cofrinhos, tanto para crianças quanto para adultos. Sinto saudades dos tempos que as instituições financeiras distribuíam cofrinhos a seus clientes e disputavam arduamente o retorno das moedinhas que eram contadas em máquinas que produziam barulhos tão agradáveis quanto belas sinfonias clássicas.

Por fim, a todos que queiram melhorar a situação das suas finanças pessoais, mas ainda desprezam pequenos valores e ficam sonhando com dinheiro caindo do céu, convido-os a pensar com seus botões, ou moedas, melhor dizendo, para lembrar outro importante fundamento de finanças populares: “é de grão em grão que se enche o papo”.

Álvaro Modernell é colunista de Finanças Pessoais do Vila Sucesso. Palestrante, consultor, autor de livros e sócio da Mais Ativos Educação Financeira, esse especialista te ajudará na tarefa de lidar com o dinheiro

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