O que fazer primeiro: poupar ou pagar?

Como consultora de Saúde Financeira e Qualidade de Vida, ouço muita gente dizer que pretende começar uma nova postura quanto ao uso do dinheiro, "assim que conseguir acertar a vida e sobrar um dinheirinho". O detalhe é que ouço esta alegação desde 2002, quando passei a pesquisar em profundidade este tema.

De todos que ouvi a frase, ninguém conseguiu fazer o dinheiro sobrar. E nunca ninguém conseguirá, porque dinheiro não sobra. Pense comigo: energia sobra?

Dinheiro é uma energia, porque está associado a valores que são atribuídos num contexto social e antropológico. O dinheiro em notas e moedas que circula numa sociedade não está mais lastreado em ouro, como era no passado, mas na informação, na produção e na geração de recursos. E muitas vezes mais associado ao intangível conceito de quanto eu considero o valor de algum serviço ou objeto. Portanto, ele não tem como sobrar, porque se houve um excedente ele será absorvido em alguma demanda que pode não existir neste momento, mas facilmente será criada. Já viu que, quando você tem dinheiro nas mãos ele parece que "evapora facilmente"?

A partir desta premissa - que o dinheiro não sobra e nunca irá sobrar - podemos responder com tranqüilidade que primeiro é preciso poupar e depois pagar.

A frase acima não implica em ficar devendo, ou tornar-se inadimplente. As contas, dívidas e compromissos tem de ser pagos; entretanto, para que exista prosperidade é preciso poupar, guardar algum valor logo que o dinheiro tornar-se disponível em suas mãos, e depois ser usado para as contas e necessidades de seu cotidiano.

Quem foi que produziu o dinheiro que você recebeu, senão você mesmo? Nada mais justo do que ser pago primeiro, na forma de uma poupança que seja de 5% do valor total, pelo menos para começar. Se faltar dinheiro para as contas veja o que você pode fazer para gerar mais renda e assim quitar o débito existente. Vale desde um trabalho extra a vender objetos obsoletos - para você, mas não para os outros - de modo que isso gere uma renda adicional.

Quem se contenta em completar a renda abusando da poupança nunca sairá do desequilíbrio financeiro. A poupança é seu prêmio, por seu trabalho e conquistas. Deve ser usada sim, para algo relevante e que traga grande satisfação, desde a realização de um sonho até mesmo como um excelente investimento. Controle-se antes de sair usando a poupança para completar a despesa, reduza custos, negocie prazos e faça dinheiro adicional para que sua prosperidade seja efetivada. Lembre-se que no momento atual as pessoas estão em condições melhores em termos financeiros e há muita gente ofertando oportunidades de trabalho que talvez você ainda não tenha percebido para aumentar sua renda.

No início pode ser um pouco difícil separar uma parte do seu dinheiro para poupar, mas faça, nem que sejam simbólicos cinco reais. Gradualmente você perceberá que é possível poupar os cinco reais todos os meses, desde que isso aconteça imediatamente após receber seu pagamento ou renda. Analise também sua lista de saídas, que são as despesas, os gastos. Veja no que é possível reduzir custos e procure poupar esta diferença, que mesmo pequena, é representativa em um horizonte de dois anos.


O importante é começar, lembrando que quem merece ser pago primeiro é você, na forma de pagamento pessoal na sua poupança, no seu investimento para que seu sentido de prosperidade possa se manifestar na sua vida.Suyen Miranda é publicitária e consultora de finanças pessoais, atuando no Brasil, Mercosul, Portugal e Angola. Já foi consumidora compulsiva voraz e tornou-se poupadora e empreendedora, e acredita que toda mulher pode e deve ser autônoma e independente financeiramente. suyen@suyenmiranda.com.br

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