O fantasma das contas no início do ano

O fantasma das contas no início do ano

Foto: AStock/Corbis

Depois das festas de fim de ano, quando temos sempre uma tendência a gastar maior do que em outros períodos - e isso vale também para o apetite que destrói as dietas e traz a preguiça da atividade física - temos o início do ano que traz contas que sempre acontecem nesta data mas podem realmente desequilibrar as finanças se não forem bem pensadas.

Em função do volume de contas ser maior do que o volume de dinheiro entrante nesta época (as férias também ajudam a gastar mais, só para lembrar!), listei aqui alguns dos principais gastos que afetam nosso bolso e como podemos proceder para ter saúde financeira:

- O imposto sobre veículos automotores, conhecido por IPVA, começa a ser pago já em janeiro e algumas pessoas tem dúvida se pagam à vista com desconto ou parcelam o pagamento. Para quem tem o dinheiro reservado o desconto à vista é a melhor opção, porque supera o rendimento da poupança e já tira um pagamento da sua lista de orçamentos anual. Mas se no seu caso a grana está curta é melhor apertar um pouco e parcelar em três vezes, começando já em janeiro; deixar para pagar tudo em fevereiro, numa parcela única sem desconto, nem sempre dá certo, porque você irá pagar de uma vez o equivalente a três meses parcelados. Só faça isso se não houver outra alternativa, mas lembre-se que, se pagar fora do prazo terá juros e multa que chegam a 20% do valor do imposto.

- O Imposto Territorial Urbano, IPTU, também começa a ser pago em janeiro. É outro caso que o pagamento atrasado gera multa e faz a quitação do valor ficar mais difícil à medida que o tempo passa. Normalmente é possível parcelar em dez vezes, portanto atenção redobrada para o recebimento do carnê e início dos pagamentos para usufruir do parcelamento sem cobrança de juros.

- Material escolar e rematrícula são outros custos que acontecem neste mês. Muitas escolas têm optado por disponibilizar a lista de material já em dezembro e informam os custos da matrícula para o ano seguinte de modo a ajudar no planejamento dos pais. Entretanto, se o valor destas despesas estiver fora do alcance, procure a escola e proponha um pagamento com um prazo maior ou ainda dissolvido nas parcelas da mensalidade; quanto ao material escolar, a pesquisa de preços é fundamental, pois há variação de uma loja para outra principalmente nos itens de papelaria. Reaproveitar o material do ano anterior é uma atitude que une economia e sustentabilidade: se lápis e mochilas estão em ordem, porque não continuar com eles no novo ano? Se seus filhos querem coisas novas somente por modismos, converse com eles e proponha uma economia do valor das novas mochilas, canetinhas que possa servir para as férias de julho - o que dará tempo para você começar a poupar um pouquinho por vez e será um excelente exemplo de economia para seus pequenos.

- Faturas dos cartões de crédito usados no natal e ano novo chegam no mês seguinte, que no caso é agora. Como proceder se a conta não fecha? Evite pagar somente o mínimo do cartão, e contate a administradora solicitando um parcelamento da dívida com juros mais baixos. Lógico que durante este parcelamento você irá usar nada ou quase nada o cartão para que esta negociação seja honrada. Se os juros forem ainda assim altos, negocie com o banco uma linha de crédito (empréstimo) que tenha taxas menores e opte por quitar a dívida do cartão ficando somente com o pagamento da linha de crédito - e deixe de usar cartões e cheques especiais por um bom tempo, usando somente o pagamento à vista. Pagar em dinheiro em geral tem o efeito psicológico de evitar maiores gastos, pense nisso.

- A volta das férias em geral traz o salário mais apertado por conta dos gastos que acontecem seja por imprevistos ou por oportunidades de passeios, jantares ou famosas comprinhas agradáveis. Não se martirize se a alegria veio com alguma despesa apertada: primeiramente, calcule o quanto a despesa pós férias custou, veja se há reservas para pagar - e neste ponto saliento que não é uma boa ideia pagar toda a dívida e passar o resto de janeiro com as contas de consumo e manutenção (água, luz, telefone, aluguel, financiamento imobiliário) em aberto.

Junte todas as despesas e, se necessário, recorra a um empréstimo bancário com juros inferiores aos cobrados pelo cheque especial e cartões de crédito. Não caia na tentação de aceitar rapidamente as opções que o banco oferecer: pesquise nas diversas instituições financeiras e, onde você tiver sua conta corrente ou investimento barganhe mesmo. Se você é um bom cliente deve ser considerado como bom pagador, o que propicia ao banco oferecer taxas menores e prazos melhores.

O importante é pagar todas as contas e ficar somente com o empréstimo e reduzir custos, poupando onde puder - corte todo o supérfluo, que é aquilo que não é fundamental para sua sobrevivência - e negocie com os credores valores que serão cobrados no curto e médio prazos. Procurar os credores para negociar dívidas é algo que mostra maturidade e inteligência financeira, pois é conversando - e negociando - que se realizam grandes oportunidades. Não deixe que os credores venham te procurar pois normalmente fazem isso oferecendo soluções que custam mais caro, capazes de afetar em muito a sua saúde financeira.

Suyen Miranda é publicitária e consultora de finanças pessoais, atuando no Brasil, Mercosul, Portugal e Angola. Já foi consumidora compulsiva voraz e tornou-se poupadora e empreendedora, e acredita que toda mulher pode e deve ser autônoma e independente financeiramente. suyen@suyenmiranda.com.br

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