Negociar as dívidas: por onde começar?

Negociar as dívidas por onde começar

Sempre comento que o primeiro passo para quem está endividado é reconhecer quais dívidas estão pendentes e em quais instituições - se bancos, cartões de crédito, financeiras, carnês atrasados, empréstimos e outras formas de crédito - e começar a renegociar o pagamento. No entanto, fica a dúvida de muita gente: como faço para negociar o que estou devendo?

Negociar é algo que não aprendemos muito na cultura brasileira; em geral acabamos por aceitar contratos quase sem ler - até porque muitos veem em letras tão pequenininhas... - e em função disso celebramos contratos sem negociar os termos. Negociar significa fazer bons negócios para ambos os lados: o comprador e o vendedor. No caso, o devedor e o credor, que também quer receber o dinheiro devido.

O primeiro ponto a analisar é quanto de sua renda você vai usar para pagar um eventual novo parcelamento de dívida, que será o resultado da sua negociação. Depois é discutir os novos termos de pagamento não como quem é culpado e, portanto, se envergonha da situação; nada disso. Só de você manifestar o desejo de pagar e quitar a dívida já é prova mais que suficiente do seu caráter e seriedade. As instituições financeiras estão acostumadas com propostas de pagamento de dívida, daí não se justifica autoflagelação, vergonha ou piedade.

Elaborei aqui um passo a passo para quem quer fazer as contas entrarem na linha sem muito sofrimento:

1. Verifique o valor das dívidas. Se forem muitas, analise criteriosamente qual será quitada primeiro: se o montante do cartão de crédito, as parcelas atrasadas de financiamento de carro ou o cheque especial. Somente se você tiver muito dinheiro disponível decida quitar tudo de uma vez, pois ficar sem liquidez (dinheiro para o dia a dia) pode levar a mais dívidas.

2. Analise quais dívidas são urgentes e podem afetar seu cotidiano. Um exemplo é a dívida de contas de consumo em aberto: se não forem pagas você ficará sem serviços essenciais, como água, luz, telefone. As empresas são abertas a negociar o parcelamento dos valores atrasados de modo que você possa pagar um determinado valor sem deixar de pagar as próximas contas. Cuidado se for pagar tudo e ficar sem dinheiro: isso pode fazer o processo de dívida começar novamente...

3. Procure a empresa ou instituição financeira credora e apresente uma proposta de pagamento. Cuidado com a primeira proposta oferecida: nem sempre é a mais recomendada ou tem menos juros. Não pense que, por eles serem empresa e você consumidor que não tem o poder de propor uma solução. Lembre que ambos querem um bom negócio, do seu lado a quitação do débito e do deles o recebimento do dinheiro.

4. Veja as condições e prazos de pagamento de modo a evitar atrasos que podem invalidar a negociação. Se a proposta ficar alta demais para sua condição financeira atual, tenha sangue frio o suficiente para aguardar um pouco, poupar algum valor e voltar à mesa de negociação em melhores condições. Esta tática é adotada pelas empresas quando elas também precisam renegociar seus contratos atrasados.

5. Pegar empréstimo com juros mais baixos e ali consolidar suas dívidas, quitando tudo e ficando somente com um empréstimo pode ser uma solução desde que bem calculada. Os empréstimos consignados, comumente usados para estes casos podem ajudar bastante, pois os juros são bem menores do que a maioria das outras instituições financeiras. Entretanto vale o alerta: o seu salário ficará menor, pois as parcelas do crédito consignado serão debitadas na hora que o dinheiro for creditado na conta. É uma modalidade de empréstimo que nunca atrasa, já que sai direto do seu salário por decisão do banco, e não da empresa.

Negociar também pode ser algo incorporado no cotidiano quando fizer suas compras. Pesquise, pechinche, negocie preços mais baixos, melhores condições de parcelamento, leia os contratos antes de começar uma nova dívida. Quem hoje tem boas reservas financeiras certamente negociou muito na vida, e você pode fazer o mesmo para ter um bom patrimônio e a melhor relação custo-benefício no que for consumir. Comece já!

Suyen Miranda é publicitária e consultora de finanças pessoais, atuando no Brasil, Mercosul, Portugal e Angola. Já foi consumidora compulsiva voraz e tornou-se poupadora e empreendedora, e acredita que toda mulher pode e deve ser autônoma e independente financeiramente. suyen@suyenmiranda.com.br

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