Morar sozinha, quando é a hora de bancar as despesas?

Morar Sozinha

Finalmente você conquista uma certa estabilidade financeira e profissional. Depois de viver anos na barra da saia do pai ou da mãe não vê a hora de montar o seu cantinho, com a sua cara. Mas antes de tomar uma decisão dessas é preciso analisar alguns pontos. Além de encarar a resistência dos pais, afinal eles sempre vão querer proteger a sua ninhada, é fundamental fazer um bom planejamento financeiro. E não imagine que o pior está no aluguel e no condomínio, isso você já sabe que irá pagar no fim do mês, a questão é as compras por impulso, que muitas vezes causam verdadeiros estragos. Nessa hora recorra aos trabalhos extras e vá atrás do prejuízo.

O Vila Sucesso foi conversar com dois especialistas em finanças pessoais que te ajudarão nessa importante decisão.

Como deve ser a avaliação financeira da mulher que deseja morar sozinha?

Erasmo Vieira: Um erro que muitas pessoas cometem é pensar somente nos grandes gastos, como aluguel, condomínio e telefone. É preciso pensar também eventuais gastos com reformas ou decorações.

Suyen Miranda: Morar sozinha implica em ter condições de bancar não somente os custos de moradia, mas também ter uma margem para imprevistos, salário atrasado, despesas de saúde, entre outra que não não integram a rotina do orçamento. Ao morar sozinha há mais custos em jogo do que com a proteção da família ou dividindo com namorado, marido ou amigos, sendo assim é necessário repensar a forma de consumo.

E o planejamento do dinheiro. É importante ter uma reserva?

Suyen Miranda: Sim, uma reserva capaz de manter por oito meses as contas e despesas de se morar sozinho; exemplo: calculando que para bancar aluguel, luz, água (condomínio), taxas, telefonia, transporte, alimentação, vestimenta e despesas extras a mulher irá gastar mensalmente R$ 2 mil, é importante ter uma reserva de R$ 16 mil. Outra medida é avaliar os custos da montagem do "lar independente", que são o mobiliário (cama, fogão, geladeira, sofá, etc.) - isso costuma custar pelo menos R$ 5 mil, além de eventuais reformas no imóvel. Costumo dizer que se não existem estes recursos e a moradia será desagradável, melhor poupar mais para sair "bem".

Erasmo Vieira: A reserva é muito importante em qualquer momento da vida, não apenas para uma mudança. Comece sempre com um pouco e não espere sobrar muito para começar a guardar dinheiro.

Suyen Miranda: O ideal é que isso seja feito de forma inteligente, ou seja, para começar a guardar dinheiro, as finanças devem estar em ordem, sem dívidas pendentes, restrições de crédito (SPC, Serasa), pois fica muito difícil viver sozinha começando com dívidas que corroem qualquer orçamento.

Pagar aluguel ainda é bom negócio?

Erasmo Vieira: Muitas pessoas falam que pagar aluguel é jogar dinheiro fora. Eu não considero assim. Pagar aluguel é você remunerar a alguém por morar na casa que ele é proprietário. Sinceramente uma coisa que acho que é jogar dinheiro fora e pagar juros, principalmente em cheques especiais, cartões e compras parceladas. O segredo em morar de aluguel é não pagar pelo luxo. Se vai morar em um lugar que não é seu procure ser mais humilde pague um aluguel mais barato que possibilite a você fazer uma boa reserva para comprar o seu imóvel.

Quando a pessoa já tem uma reserva para a entrada do apartamento, vale a pena já efetuar a compra com essa quantia e depois financiar o restante?

Suyen Miranda: Quanto maior for a entrada para a compra de um imóvel melhor será a condição de financiamento, com parcelas menores e em menos tempo. Mas atenção. Há quem pense "prefiro financiar enquanto estou morando", e nisso há uma chance grande de perder dinheiro principalmente porque, se a parcela for pesada e por muito tempo, em qualquer atraso seqüencial, a perda do bem é um risco concreto. Sem falar que é desmotivador pagar juros que são altos (cerca de 1% ao mês e taxas) por períodos longos, de 15 a 20 anos.


O que vocês indicariam em casos como esse?

Suyen Miranda: Compensa bem mais alugar um imóvel simples, e guardar dinheiro para comprar o imóvel desejado pagando o máximo de entrada e reduzindo bem o financiamento. Se a pessoa for muito disciplinada pode inclusive guardar bem e pagar à vista, negociando um preço competitivo. Vale lembrar que comprar um imóvel implica em gastar com certidões, escrituras que custam em torno de 5% do valor do imóvel.

Erasmo Vieira: Conheço pessoas que na compra do primeiro imóvel optaram por aqueles com um 3 ou 4 quartos, suíte, e viraram escravos do imóvel com financiamento em 20 ou 30 anos. No final das contas pagaram dois ou até três imóveis para ter somente um.

Por Juliana Lopes

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