Moedas, moedas e moedinhas!

Quando a gente fala em cofrinhos, porquinhos, moedinhas e pé-de-meia, a maioria das pessoas relaciona esses ícones de poupança às crianças. Mas não deveria ser assim. A poupança e seus símbolos também são assuntos de adultos. São ótimos elementos de Educação Financeira. Para todas as idades.

Além disso, podemos sempre aprender coisas novas com as crianças. Não é preciso ir longe. Quantos de nós, adultos, temos aprendido importantes lições de responsabilidade ambiental a partir dos ensinamentos e das cobranças de nossos filhos.

E como seria bom se preservássemos mais coisas do espírito e do tempo de criança. Como o mundo seria melhor.

O salutar hábito de juntar moedas e alimentar cofrinhos é um desses hábitos a ser mantido. E estimulado. Muitos adultos evitariam problemas financeiros se colocassem em prática atitudes simples que a maioria acredita, mas apenas uma minoria respeita e prática.

“Quem guarda sempre tem”.

“De grão em grão a galinha enche o papo”.

“De real em real, se faz um dinheiral”.

"Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje”.

“No poupar está o ganho”.

“Quem não deve, junta dinheiro...”

“Se não tens tudo o que amas, ama tudo o que tens.”

Estes são alguns dos ditados que simbolizam a sabedoria do povo. E para manter a linha de argumento: “A voz do povo é a voz de Deus”.

Em pesquisa informal realizada há alguns anos, constatamos que a maioria das pessoas que possuía reservas de poupança, tranquilidade financeira e distância de dívidas tinha também o hábito de cultivar cofrinhos. Costume de valorizar as moedas e de não desprezar os pequenos valores.

Coincidência? Claro que não. Questão de atitude. De consciência. De inteligência. De perseverança. De paciência. De Educação Financeira.

As moedinhas acumuladas sistematicamente representam mais do que apenas os trocadinhos que não foram gastos ao longo do dia. São prova de persistência e da crença de que vale à pena poupar. E uma demonstração de que cada centavo assume maior valor quando somado a outros. E maior valor ainda ao longo do tempo, quando investido. Não dê importância à quantidade ou valor das moedas. Valorize a frequência que o cofrinho é “alimentado”.

Aos pais cabe o papel de estimular as crianças a manter cofrinhos.

É claro que apenas isso não é suficiente. Mas é um bom começo. Devem ser associadas conversas que esclareçam questões fundamentais na área de finanças pessoais, a exemplo de como planejar o uso do dinheiro, disciplina no ato de poupar, respeito a prazos e objetivos, estabelecimento de metas, cuidados com os próprios investimentos, aprender a escolher e muito mais.

Quanto aos custos, por maior que seja o valor das moedas acumuladas (valor desviado do orçamento mensal), o valor em si jamais pagaria o ensinamento que pode ser apresentado nessa doce rotina de juntar moedinhas.


Especial atenção para que as crianças não fiquem mesquinhas. Juntar dinheiro sim. Mas não apenas por juntar, a esmo. Todo sacrifício financeiro deve ser compensado por um prazer ainda maior. Uma questão de equilíbrio. Poupar implica em fazer sacrifícios. E isso só se justifica se houver um bem maior a conquistar. Poupar agora para desfrutar melhor depois.

Álvaro Modernell é colunista de Finanças Pessoais do Vila Sucesso. Palestrante, consultor, autor de livros e sócio da Mais Ativos Educação Financeira, esse especialista te ajudará na tarefa de lidar com o dinheiro

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