Luxo é fundamental!

Luxo é fundamental

Anel Tiffany, a partir de R$ 9.180. Foto: divulgação

Se há algo que mexe com as entranhas da sociedade é citar o luxo - termo que pode tanto atrair e encantar como ser associado a coisas ditas pecaminosas - e digo que ninguém passa incólume por ele. Há quem diga que luxo é desnecessário, ou que luxo é algo desvinculado de valor ou dinheiro, como aqueles que se referem ao tempo como um luxo. No entanto, a imagem mais forte está muito próxima daquilo que é caro, que custa e tem valor. Por tudo isso é que luxo é dito ser um "luxo".

Proponho algumas reflexões sobre esta palavra que creio serem capazes de trazer novas luzes para o dito luxo. Em todas as civilizações humanas encontramos traços de luxo - seja nas colheres de ouro utilizadas pelos monarcas quanto nos banhos de leite de Cleópatra - e isso não dá sinais de mudança mesmo na modernidade do século XXI. Luxo está presente na sociedade com tanta ênfase e com uma certa popularidade, devido a facilidade de comunicação e informação. Um produto novo e caro da Maison Hermès é rapidamente fotografado e postado na internet, ficando ao alcance da admiração dos mortais em todo o mundo.

O luxo, para alguns, ficou mais perto por milagre da internet e da comunicação instantânea. Posso dizer também que ficou mais acessível pelas maravilhas que só o crédito consegue explicar. E o luxo se popularizou por estar mais conhecido - o que fez dele também mais volátil, já que muitos luxos do passado hoje são commodities do presente, como foram os celulares minúsculos StarTac (lembra desse modelito?) e as televisões de plasma (que já foram superados pelos LCDs e LEDs) - daí que alguns luxos são temporários, e outros nem tanto.

O luxo tem sido o responsável pelos progressos do consumo e gerado muitos negócios novos, que empregaram milhares de pessoas em funções que eram impensáveis há pouco menos de cinco anos. Todo progresso tecnológico vem de um produto luxuosamente pesquisado e desenvolvido em protótipo - o embrião do luxo, já que ele é único - para que seja copiado em reproduções controladas e numeradas para depois, com o progresso da fabricação em escala possa se tornar mais acessível a muitos, mas nem sempre a todos.

E há pecado em desejar algo de luxo? Noto que muita gente se penitencia ao pensar em adquirir algo que é luxo; é como se o produto dito luxuoso fosse algo capaz de impedir a entrada franca no céu ou em qualquer recinto mais seguro do pós morte. No entanto, penso que a sabedoria do mundo deve ter inspirado o criador do luxo tal qual o conhecemos - seja nas marcas famosas quanto no tempo que é visto como luxo para muitos. A partir da premissa que não iremos prejudicar ninguém, principalmente nossas finanças, na aquisição do luxo, não encontro eco capaz de apontar um desvio pecaminoso. O produto de luxo foi criado para quem alguém o compre, o deseje e queira ter como seu; portanto, terá a contrapartida de seu pagamento, no valor que a ele é atribuído e que, por ser luxo, tende a ser alto. Digo que tende, pois ainda não vi alguém cobrar pelo tempo - um luxo da atualidade, inconsumível.

Dito isso, considero que luxo é fundamental, e com esta frase explico que todos queremos ter algo exclusivo, algo que nos encanta e faz a diferença na nossa vida a partir de uma escolha consciente de consumo. Não há mal algum em comprar a bolsa supersofisticada da qual só foram feitas duas cópias já que o valor de uma delas cabe nas suas despesas; muita gente participou do desenvolvimento deste produto de luxo e busca um retorno deste investimento, tanto na admiração pelo bom desempenho quanto pelo retorno do negócio.

Há luxo atemporal, como as marcas famosas mundiais que tanto ouvimos e por vezes deixamos distantes de nosso cotidiano - não faço apologia da compra de luxos, mas não vejo mal em saber mais detalhes sobre algo que nos fascina, contanto que nos agrade. Um exemplo interessante foi mostrado na série Sex and The City, quando a protagonista Carrie Bradshaw vai a Paris e visita a Maison Dior - e como está chovendo, literalmente escorrega e cai na porta da loja, com direito a deslizar no piso branco e chamar a atenção de todos, numa analogia direta a como caímos de amores por uma marca desejada.

Há luxo transitório, e nele coloco todas as inovações e modas exclusivas que passam a ser conquista de massa, como foi o celular diminuto, os carros pequenos Mini e Smart - cada vez mais comuns nas grandes cidades brasileiras - e os atuais aparelhos de blu-ray. Não irá demorar muito para deixarem de ser luxo, embora ainda tenham valor financeiro expressivo. Basta relembrar que, nos anos oitenta, ter videocassete em casa era um luxo só.


E o que, para você, é luxo? Quem tem muito costuma dizer que o luxo está no simples, como é a paz e o tempo. Discordo porque considero o simples além da classificação de consumo, já que por ser simples é intrínseco, como o ar. Não vivemos sem ar e sem o simples, mas vivemos sem luxos. O interessante em pensar sobre o luxo é justamente avaliar o quanto ele é importante não só para nossa satisfação, mas para o equilíbrio que leva ao progresso na sociedade em todos os tempos. Sem contar que luxo revela muito de nós mesmos, aspirações, desejos e ego. Conheça seu luxo, e sabendo dele, conquiste-o, pois a sensação e sentimento de conquista e satisfação é importante tanto individual como coletivamente. Desenvolvemos a sociedade por meio do luxo, é um mérito que é dele. Fundamental.

Suyen Miranda é publicitária e consultora de finanças pessoais, atuando no Brasil, Mercosul, Portugal e Angola. Já foi consumidora compulsiva voraz e tornou-se poupadora e empreendedora, e acredita que toda mulher pode e deve ser autônoma e independente financeiramente. suyen@suyenmiranda.com.br

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