Inflação: empresária lucra menos para segurar a clientela

Lidando com a inflação

Apesar da alta inflação, que ficou acima da média, empresários têm optado por reduzir os lucros, a fim de manter a clientela. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril chegou a 6,51% em 12 meses, sendo que o teto da meta é 6,5%, tornando o poder de compra do brasileiro bastante comprometido.

Por definição, a inflação é o poder de compra do dinheiro ou a queda do valor de mercado, termo muito usado para se referir ao aumento geral dos preços. Quando a inflação está muito baixa, ou até mesmo zero, acontece a estabilidade dos preços, o que não é o caso da economia brasileira atual.

Assim que a inflação aumenta, as pessoas gastam mais com as necessidades básicas e deixam de lado o que consideram "luxo", como manicure, academia e, inclusive, compra de roupas.

Elemari Varella, proprietária de uma loja de roupas que leva o seu nome, optou por não elevar os preços de seus produtos, com o objetivo de garantir que sua clientela continue presente. "A inflação está uma loucura. Nossos clientes são fixos e, por ser uma loja bem familiar, temos um fluxo constante dessas pessoas. Eu sempre mando e-mails, ligo, envio fotos de alguns vestidos para que elas venham, porque a situação está complicada para todos", comenta.

Os gastos de uma loja, por exemplo, não se limitam à compra dos produtos, mas também a diversos serviços terceirizados, como lavanderia, manutenção do espaço físico da empresa e ajustes nas peças, que implicam na compra de itens de costura. Elemari conta que, em média, todos esses serviços encareceram 10%, fazendo com que o corte de gastos também ocorra dentro da loja.

"Temos trabalhado de sábado e domingo para cobrir os gastos da loja. As viagens para montar coleções também não são mais incluídas nos preços das peças. Estou pagando com o meu dinheiro e não recebo por isso, mas é o jeito, senão fica inviável mesmo", diz a empresária.

Ela também conta que, por manter o foco na venda dos vestidos de festa, ponto forte de sua loja, as roupas casuais passaram a ser sua margem de lucros, e, atualmente, essenciais para o pagamento de algumas contas.

Ela confessa que não sabe até quando conseguirá manter os preços sem reajustes, mas o fato de ver que os clientes habituais continuam frequentando a loja, por conhecerem a qualidade das peças e o custo-benefício, é um grande incentivo para mantê-los até quando for possível.


"Caso as coisas continuem como estão, serei forçada a elevar os preços, mas não porque quero. Por exemplo, a próxima coleção já vem com os preços reajustados do próprio fabricante. Não tenho o que fazer a não ser seguir o aumento, senão a loja acaba fechando", desabafa Elemari.

Por Carolina Pain (MBPress)

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