Hipermercado com cara de mini

Hipermercado com cara de mini

Primeiro, eram as maxi-lojas, hipermercados e megastores que chamavam a atenção e se empilhavam de consumidores em busca de variedade e preço baixo. Agora, a onda se inverteu. As mini-lojas, com cara de bairro, ganham a confiança do cliente e aparecem como mais uma opção comercial para os grandes varejistas.

Redes de supermercado, por exemplo, já aderiram à moda. O Pão de Açúcar e o Carrefour vão agora onde antes apenas aqueles pequenos armazéns ou vendas estavam instalados - e querem mais essa fatia do mercado. “É preciso pensar com os olhos do consumidor. Se ele quer facilidade, é isso que a grande rede vai oferecer”, diz Cláudio Czapski, superintendente da associação ECR Brasil.

Ele está falando de exemplos como Carrefour Bairro, da rede francesa, ou dos pontos Extra Perto e Extra Fácil. Normalmente localizados estrategicamente, esses espaços driblam o trânsito e oferecem comodidade a quem já não tem mais tanto tempo a perder. “Com o tempo escasso, tudo precisa ser mais rápido. Se antigamente ir ao supermercado era uma necessidade para fugir da inflação, hoje isso não é mais realidade. Agora as pessoas se preocupam com rapidez e agilidade. O tempo é que é precioso”, diz.

E parece que a tendência veio para ficar. Segundo a AC Nielsen e a Associação Brasileiro dos Supermercados (Abras), o número de lojas menores vem crescendo mais rapidamente que o das lojas maiores desde 2002. Este efeito, segundo Flávio Correia, gerente da bandeira Extra Fácil, do grupo Pão de Açúcar, se deve a muitos fatores, entre eles a busca dos clientes por conveniência. Além disso, o envelhecimento da população e as famílias cada vez menores que fazem compras mais rápidas, leves e com menos produtos também leva a essa necessidade.

“Mais mulheres no mercado de trabalho, com menos tempo para cozinhar e a busca por produtos ‘prontos para consumir’, assim como o aquecimento do mercado imobiliário, que inviabiliza investimentos em lojas de grande superfície, também fazem parte desses fatores”. O Extra tem hoje 38 lojas nesse formato e um agressivo plano de expansão para os próximos anos.

E há preocupação com o preço, certo? Errado. Muitas vezes, quem busca comodidade, está ciente do seu custo. É o caso das lojas de conveniência, por exemplo. Ter o refrigerante gelado, a qualquer hora do dia, na quadra de casa, tem um preço - e normalmente é alto. Mas, mesmo assim, as redes de supermercado têm dado um jeito de competir inclusive no preço. As grandes redes têm o benefício da compra em quantidade significativa para a hiperloja - e o repasse, num preço mais acessível, ao consumidor do bairro. “Os preços não são maiores nas lojas menores. São adequados aos dos concorrentes presentes em cada uma das zonas primárias. Mas não temos promoções como o Extra (hiper) faz na televisão”, afirma Flávio.

Outra saída é o investimento em marcas próprias. Aí, o que cai é a variedade. “Esse é o caso do mercado ‘Dia’, por exemplo, que vem crescendo expressivamente a partir do investimento em marca própria com preços bem mais competitivos”, avalia Cláudio. Segundo informa Flávio, o sortimento nas lojas Extra Fácil é de aproximadamente 3,5 mil produtos. Nas grandes lojas, esse número pode chegar a 15 mil.

Agora, quem precisa se cuidar são os pequenos armazéns e vendas. Enquanto no passado eles apenas viam as grandes redes brigarem por espaço, agora enfrentam o inimigo porta-a-porta. “Esses pequenos comércios ofereciam relacionamento, pagamento fiado, o famoso caderninho e entrega em casa. As grandes perceberam o nicho no pequeno varejo e chegaram com tudo. Como é mais complicado comprar um desses mercadinhos do que montar, elas preferiram abrir as suas próprias mini-lojas”, diz Cláudio. E Flávio, do Extra, confirma. “Não temos medo da concorrência. O fato de fazer parte do maior grupo varejista do Brasil nos garante algumas vantagens competitivas que os pequenos players independentes não têm acesso”.

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Por Sabrina Passos (MBPress)

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