Guardar ou Gastar?

Guardar ou gastar, não. Guardar e gastar. É isso mesmo. Guardar e gastar. Nunca o contrário, gastar e guardar. Se gastar primeiro, não sobrará nada para guardar. Agora, se primeiro guardar, investir e acumular, vai ter para gastar sempre. Essa é a tônica deste artigo. Isso não é um simples jogo de palavras, é uma das chaves para o sucesso nas finanças pessoais.

Apesar de ferrenho defensor da disciplina de poupador, defendo também o prazeroso ato de gastar. É para isso que serve o dinheiro, para gastar. O dinheiro serve para proporcionar segurança, conforto e prazer, nessa ordem, como diria Maslow. Não fosse por isso, para que serviria o dinheiro? Qual seria a vantagem de guardar, investir e acumular dinheiro? Nenhuma.

O dinheiro é benéfico sim senhor. E faz muita falta, principalmente quando se precisa dele e não se pode dispor. Segurança, conforto e prazeres custam dinheiro. Dando uma rápida pincelada nos aspectos religiosos da questão, a origem da nossa catequização jesuíta, como bem lembrada por Gustavo Cerbasi em suas palestras, levou a sociedade brasileira a desenvolver uma cultura religiosa que induzia a persar que ter muito dinheiro é pecado. Não é, nunca foi e nunca será. O mau uso do dinheiro sim, pode ser que seja. Assim como ser perdulário ou avarento. É importante buscar e encontrar o equilíbrio.

Poupar muito e investir corretamente é importante. Primeiro garantir a segurança, logo a seguir os itens de conforto, e por fim o direito aos prazeres, sem comprometer os dois primeiros itens. Essa é a essência da Educação Financeira. Fazer o que tem que ser feito, no momento adequado.

Pessoas que exageram no consumo dificilmente acumularão patrimônio e reservas suficientes para obter tranqüilidade que assegure uma situação confortável para as etapas da vida menos produtivas, cada vez mais longevas. Por outro lado, apenas guardar para o futuro e não desfrutar o presente talvez impeça a construção de uma base para a felicidade, que segundo psicólogos, também se faz das recordações de momentos e experiências felizes vividos no passado.

Felizes os que conseguem encontrar o equilíbrio. Garantir a segurança financeira, assegurar o merecido conforto e permitir-se os merecidos prazeres. Tudo na dose e no tempo certo. E, ao chegar aos oitenta, noventa anos, poder reler o poema Instantes, do poeta argentino Jorge Luiz Borges, sem estar com as reservas vazias e tendo desfrutado dos prazeres da vida, e poder apenas pensar: que belo poema.

Álvaro Modernell é colunista de Finanças Pessoais do Vila Sucesso. Palestrante, consultor, autor de livros e sócio da Mais Ativos Educação Financeira, esse especialista te ajudará na tarefa de lidar com o dinheiro

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