Futurarte: artesanato brasileiro premiado no exterior

Futurarte

Tear Mineiro/Foto Gui Guimarães

Papel jornal ou garrafas PET, materiais muitas vezes desprezados por nós que se transformam em obras de arte nas mãos das 28 mulheres dos bairros Marimbá, Santo Afonso e Vianópolis, região rural de Betim, em Minas Gerais.

Quem observa as coleções de bolsas e acessórios se surpreende com o acabamento do trabalho da Cooperativa Futurarte, fundada em 2004. Sousplas, bandejas, relógios, pastas, entre outros objetos são feitos de jornal. Já do tear mineiro, com base no algodão, surgem tapetes, caminhos-de-mesa e jogos americanos.

Conforme a demanda, as artesãs chegam a trabalhar oito horas por dia e ganham mais de 600 reais mensais. Ao todo são confeccionadas duas mil peças por mês, o que garante uma renda de R$ 15 mil para a instutição. O trabalho é feito por encomendas, principalmente brindes sociais para empresas como Petrobras, Banco Ibi e Grupo Cemig. Muitas delas também vão para fora do país, como Estados Unidos, Alemanha e Espanha.

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Bolsas Cooperativa Futurarte

Dalva Laura da Rocha Freitas, presidente da instituição, afirma que o carro chefe da produção são as bolsas que já participaram de desfiles, como o Dragão Fashion, realizado em Fortaleza em abril deste ano, e o Paraná Business Collection (Curitiba).

Depois de um dos seus modelos receber a premiação internacional, no concurso da Feira Tendence Lifestyle, realizada em Frankfurt (Alemanha), o projeto incubado pela Ong Ramacrisna busca ampliar a participação no mercado. Hoje em dia já conta com o auxílio da Petrobras e da empresa Horizonte Têxtil que doa os tecidos, entre eles, tafetá, corino, chita, algodão e cetim, esses usados na confecção das peças exibidas em lançamentos e desfiles da marca.

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Bolsas Cooperativa Futurarte - Foto Geisebel Castro

Alunos e professores de moda e design da Liverpool Hope University, da Inglaterra, também dão a sua contribuição. Eles participam durante quinze dias de atividades artísticas com o desenvolvimento de novas soluções e design.

“Recebemos doações de jornais, algodão e tecidos de várias instituições. E 25% do material é comprado. Só para ter uma ideia, usamos 50 garrafas PET para um metro de tecido. Depois que começamos a exportar os nossos produtos buscamos investir na qualidade deles para conseguir os níveis de padronização e exigências do mercado”.

Tanta preocupação em buscar soluções inovadoras fez com que as artesãs conseguissem produzir ecobags com saco de cimento, ideia pioneira que rendeu frutos, como o selo IQS, do Instituto de Qualidade Sustentável. Atualmente, o projeto também é um dos vencedores do TOP 100 Sebrae.

Para auxiliar na busca de novas utilizações a partir de materiais recicláveis, o projeto também conta com a ajuda do estilista Ronaldo Silvestre (Ex Madame) que começou a se envolver com moda logo na infância, quando reaproveitava tecidos usados no trabalho de sua mãe para fazer brinquedos.

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Trabalho com papel jornal/Foto - Tulio Izaac

“Vou a cada semestre e passo uma semana por lá. Apresento as tendências do mercado e acabamentos diferentes principalmente para as bolsas, que já estiveram em alguns dos meus desfiles. A evolução das meninas é muito grande, posso dizer que 80%”, diz.


As mulheres da Futurarte estão entre os 8,5 milhões de pessoas que vivem de transformar matéria prima em objetos com alto valor, artesanato que movimenta R$28 bilhões por ano, conforme os dados do Sebrae. Isso sem contar muitos anônimos que não estão nas estatísticas, como as nossas Vilamigas, que buscam nos trabalhos manuais uma forma de conseguir uma renda extra. Que projetos como Futurarte possam se multiplicar ainda mais pelo Brasil, iniciativas que garantem o sustento das comunidades e fazem bem ao meio ambiente.

Quem se interessar pelas peças pode solicitar um orçamento pelo telefone (31)3596-2828.

Por Juliana Lopes

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