Como organizar as finanças para a chegada do primeiro filho?

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Como organizar as finanças para a chegada do prime

Não é todo dia que as mulheres resolvem ser mães, não é mesmo? Este é um desejo que, em geral, vai chegando de mansinho em algum momento da vida de um casal. A idéia inicial pode nascer dele ou dela. E, juntos, eles começam a imaginar como seria a vida a três... ou a quatro, quem sabe cinco! Antes de encomendar o primeiro bebê, porém, é fundamental planejar a chegada do filho, que mudará por completo não somente a rotina da casa como, claro, as finanças da família!

Segundo o professor de Economia da PUC - SP, José Nicolau Pompeo, o planejamento financeiro é necessário em razão das incertezas futuras. "As crises financeiras e econômicas têm mostrado que a fuga através do crédito vem endividando as famílias. E este endividamento crescente impede que os pais possam planejar, por exemplo, um investimento paralelo em educação, como cursos de línguas, educação musical, etc. Por isso, com relação à chegada do primeiro filho, é preciso construir um orçamento familiar para evitar surpresas que resultam em endividamento".

Veja na entrevista a seguir as orientações sobre como se planejar.

- Quais as prioridades que os pais devem levar em consideração na hora do planejar financeiramente a chegada do primeiro filho?

Prof. Pompeo - Todas as necessidades básicas devem ser levadas em consideração. Os gastos com fraldas, berço, carrinho de passeio, cadeirão, babá, etc. devem ser previstos na construção do orçamento. Com relação à escola, creche, material didático, etc - despesas futuras - o casal pode verificar através do seu orçamento a possibilidade de abrir uma poupança para o filho, logo após o nascimento. A abertura de uma poupança em nome do filho, se o orçamento do casal permitir, gera uma reserva que pode ser utilizada no investimento paralelo em educação.

- Qual a melhor forma de planejar os gastos com maternidade, médicos, vacinas...?

Prof. Pompeo - O ideal é planejar-se de forma antecipada, ou seja, assim que a mulher souber que está grávida. Na verdade, é importante o casal construir o seu orçamento familiar logo após a união. A antecipação possibilita um controle das despesas em relação à receita. Essa forma de agir contribui para diminuir possíveis aflições e o próprio endividamento que surge diante das incertezas futuras. A solução mais fácil para quem não se planeja tem sido o crédito, que gera dificuldades ao invés de facilidades, pois as taxas de juros no Brasil são muito elevadas e estão muito distantes dos aumentos salariais. Essa situação inibe o casal em termos de investimentos numa educação melhor para seus filhos.

- Movidos pela emoção, alguns pais acabam direcionando gastos imensos com a reforma do quarto do bebê, mobiliário, lembrancinhas para maternidade... Podemos considerar esses itens supérfluos e dispensáveis caso o orçamento esteja apertado?

Prof. Pompeo - A emoção e a falta de planejamento conduzem muitos desavisados a endividar-se na compra de supérfluos. Movido por propagandas enganosas, o casal acredita que aquela alegria, normalmente passageira, é importante. O mais importante, porém, é a cautela em relação a gastos supérfluos. O ideal para o casal é sempre verificar o orçamento e não abrir mão da poupança para o futuro mais tranquilo em termos de investimentos numa educação com mais conteúdo.

- De maneira geral, é possível mensurar "o quanto custa" ter um filho?

Prof. Pompeo - É fácil quando você se planeja, quando coloca no papel as despesas necessárias e supérfluas. Quando você se orienta através de livros que tratam do assunto, ou ainda quando você conversa com quem já passou pela experiência. Levantar dados através de amigos, familiares, etc, em relação às necessidades geradas pelo nascimento de uma criança contribui para a tranquilidade do casal em relação aos investimentos futuros. Normalmente a compra de um brinquedo é mais fruto do desejo do adulto do que da própria criança. Não há necessidade de excesso de brinquedos, mas sim de diálogo, de leituras, de orientação. Em geral, os brinquedos, principalmente os eletrônicos, inibem a criatividade da criança e criam vícios difíceis de serem eliminados no futuro. O hábito de ler e contar historinhas para a criança aproxima mais os pais dos filhos, gera mais segurança na criança preparando-a para enfrentar as adversidades. Esse exercício pode e deve ser praticado pelos pais.

- Com a experiência, o planejamento financeiro para o caso do nascimento do segundo filho fica mais fácil?


Prof. Pompeo - Com relação ao segundo filho, a história se repete, ou seja, o planejamento familiar deve ser constante. O casal, ao construir um orçamento familiar, tem noção do seu poder de compra e das dificuldades que poderá enfrentar se suas prestações forem superiores em relação ao que sobra quando compara receitas com despesas. O casal nunca deve comparar o valor de uma prestação somente com a receita, mas com o que sobra quando se compara receita com despesas. O controle dos gastos deve ser constante. Esse controle contribui para diminuição dos conflitos na relação do casal e nas relações com os filhos. Grande parte dos conflitos é gerada por problemas financeiros.

Por Adriana Cocco

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