Finanças e promessas não cumpridas

Sempre que me perguntam sobre planejamento estratégico gosto de enfatizar que é muito importante ter em mente a conclusão da ação planejada. Isso parece óbvio, que nem mereceria reflexão. Mas não é o que tenho visto.

Muitas pessoas, empresas, instituições públicas e mesmo privadas ainda caem em erros quanto ao encerramento das tarefas que foram planejadas, iniciadas e desenvolvidas com esmero; no entanto, devido ao andamento da obra - qualquer que tenha sido, se rápida, satisfatória ou não - que leva um certo tempo, o comprometimento com a finalização deixa de ser prioritário. E por conta disso vemos livros inacabados, estradas mal pavimentadas, reformas que ficam pela metade ou um pouco mais disso, promessas não cumpridas, etc, etc...

E por que será que isso acontece? E será que acontece com você também?

Tenho pesquisado termos de Neurociência e Comportamento, e por meio disso noto que, quando um projeto é desenvolvido com foco fora da sua verdadeira finalidade, há muitas chances de fracassar. Um exemplo simples vem das famosas decisões de emagrecimento: se a finalidade do emagrecimento for verdadeira, o fato irá acontecer e concluir, permanecendo assim. Se for falso, levará mais dias ou menos, mas voltará a estaca zero. E como saber se é uma finalidade verdadeira ou falsa?

Simples: a finalidade te emociona? Ela mexe com os sentimentos? Se sim, perfeita. No caso do emagrecimento, se a finalidade for "ter uma vida saudável, de acordo com que o médico pediu", não será verdadeira, porque o que realmente motivaria o emagrecimento seria "a vontade de ter um corpo maravilhoso e desejável, capaz de seduzir e encantar", esta sim, a verdade daquela pessoa. E esta verdade sim, emociona, mexe com o sentimento, arrepia.

Sabe quando você começa a controlar melhor suas despesas, faz tudo certinho e acaba por deixar de lado? Ou até o oposto: você começa e cria o hábito, atingindo o seu objetivo. Nos dois casos, o diferencial foi o teor da emoção, que no primeiro não foi suficiente, já que a vontade de controlar as despesas soa mais como obrigação do que uma conquista pessoal para um objetivo maior; e no segundo caso o controle das contas é a ferramenta para atingir a grande emoção de ter uma vida financeira saudável.


Quando abordo o planejamento estratégico aponto o foco para isso: é uma finalidade verdadeira? Se verdadeira for, certamente terá a acabativa, a resultante permanente que vai trazer um estado de ser, de consciência e vida que apontam satisfação genuína. Sem isso, todo e qualquer plano ficará apenas nas idéias, como os livros interrompidos sem conclusão, a dieta sem resultados, o curso de idiomas que não deu certo. Portanto, comece agora: coloque mais emoção na vida para atingir suas acabativas!

Suyen Miranda é publicitária e consultora de finanças pessoais, atuando no Brasil, Mercosul, Portugal e Angola. Já foi consumidora compulsiva voraz e tornou-se poupadora e empreendedora, e acredita que toda mulher pode e deve ser autônoma e independente financeiramente. suyen@suyenmiranda.com.br

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