FGV pretende encontrar o índice de felicidade dos brasileiros

Pesquisa quer calcular a felicidade

A riqueza de um país sempre foi mensurada por meio do PIB (Produto Interno Bruto). E embora exista o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), outros fatores como nível de segurança, condições financeiras, sociais e psicológicas de um país ainda não foram medidos com detalhes.

Em busca de um índice mais completo aqui no Brasil, desde o ano passado os professores Fábio Gallo e Wesley Mendes, ambos da área de finanças da FGV-EAESP (Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas), iniciaram pesquisas para calcular a felicidade dos brasileiros.

Wesley Mendes afirma que eles não pretendem reproduzir o índice utilizado em Butão. A principal preocupação é alcançar um conjunto de variáveis que possibilitem a obtenção de uma métrica que reflita a opinião dos brasileiros, considerando a diversidade de perfis demográficos que são encontrados no território nacional. "Nesse momento estamos coletando material para ter um conjunto preliminar de aspectos a estudar, estamos na fase inicial de constituir parcerias", explica Mendes.

Questões como transporte, poluição, clima, segurança pessoal, atividades ao ar livre, acesso à cultura e a bens públicos, satisfação com a justiça, entre outros serão considerados no índice. "Partiremos de uma coleta de dados iniciais e planejaremos colocar sob apreciação da população em diferentes cidades do Brasil. Dessa forma o país terá métricas alinhadas com a ordem mundial sugerida pela ONU nos últimos anos", descreve o professor.

Segundo Mendes, o foco da contribuição está apoiado na consideração de aspectos subjetivos (julgamento das pessoas acerca de diferentes aspectos de vida, tal como o sistema de transporte na cidade onde reside) em adição aos aspectos objetivos já utilizados (como o PIB). "Buscamos um indicador nacional para o bem-estar do cidadão brasileiro", relata ele.

O PIB continuará sendo um dado extremamente importante, mas Gallo e Mendes desejam conhecer detalhadamente o que fazem as pessoas mais satisfeitas com suas condições de vida. A meta é ir além da riqueza produzida (que é uma medida agregada e não reflete, necessariamente, o sentimento individual). "Não existe tentativa de substituição do PIB, mas sim um complemento das métricas objetivas que já se fazem atualmente", opina o professor.

O objetivo é contribuir para um avanço na mensuração da performance do governo e ainda possibilitar uma plataforma útil para a iniciativa privada prospectar oportunidades de negócio (impactos nas esferas pública e provada). A previsão é que o índice esteja concluído em 24 meses.


O professor destaca que o índice que está sendo elaborado "sob medida" para cada estado brasileiro. "Estamos empenhados em congregar pesquisadores do Brasil inteiro e alguns de fora também. Temos colegas de Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Bahia, Brasília e Manaus. Além de pesquisadores de universidades localizadas no Reino Unido e em Nova Iorque, mas esse grupo deve crescer", finaliza Wesley Mendes.

Por Stefane Braga (MBPress)

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