Entenda os descontos no seu salário

Entenda os descontos no seu salário

Receber o salário é sempre uma alegria. Por menor que seja o valor, aquilo é nosso, resultado de nosso trabalho. Mas muita gente se desanima logo que abre o holerite e vê vários descontos sobre o valor bruto. A situação piora quando a pessoa não sabe o que eles significam ou para quê servem.

Só que compreender esses valores que são subtraídos todos os meses do salário de trabalhadores com carteira assinada não é tão difícil assim. Os principais descontos são apenas dois: a contribuição para o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e o IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte).

O INSS corresponde a cerca de 8 a 10% do pagamento nominal (oficial) do trabalhador e é uma espécie de poupança obrigatória. É com base nele que a aposentadoria do trabalhador será calculada e estará garantida. "Entretanto, os valores reembolsados pelo Governo após anos de contribuição do empregado muito provavelmente não permitirão que ele tenha o mesmo estilo de vida que possuía enquanto trabalhava", afirma Silvia Alambert, educadora financeira e diretora do programa "The Money Camp" no Brasil.

Já o IRRF é um imposto federal e obrigatório. Ele deve ser utilizado para promover melhorias nas áreas de saúde, educação e habitação. Trata-se de uma antecipação do imposto, já que o contribuinte paga parcelas durante o ano inteiro, para declarar, no ano seguinte o que pagou e verificar se precisa interar a contribuição ou ser restituído. "Para calcular o valor a ser pago, o trabalhador deve seguir as orientações da tabela que o Governo prepara a cada virada de ano", ensina o professor Pedro Carvalho, da Veris Faculdades.

Também existe o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), que é recolhido diretamente pelo empregador e corresponde a 8% do salário base do funcionário, sem descontos em folha. Esse benefício poderá ser resgatado quando o empregado sai da empresa, porém apenas em casos específicos. "O saque só poderá ser efetuado em casos como demissão sem justa causa, aquisição da casa própria ou no caso de tratamento de doenças graves, aposentadoria ou falecimento", exemplifica Silvia.

As empresas são obrigadas a fornecer o vale transporte para quem contratam. Por lei, podem descontar do pagamento até 6% do valor total gasto com a condução. No entanto, quem usa o carro para se locomover até o local de trabalho pode optar por não receber o vale transporte - e, consequentemente, não terá esse desconto em seu holerite. Nesse caso, a pessoa deverá assinar um documento para registrar sua decisão.

O vale refeição, quando oferecido, poderá ter 20% de seu valor total no mês descontado do salário do empregado. Pedro salienta que não importa se a refeição for dentro da empresa ou fora dela, esse desconto é válido. "Entretanto, é normal que os patrões subtraiam uma porcentagem menor que a prevista, entre 10 a 14%".

Outros valores podem ser subtraídos do pagamento, como aqueles referentes a planos de saúde, convênios com instituições de ensino, clubes e diversos programas de benefícios, que variam de empresa para empresa. Mas, fique de olho: isso só poderá ser descontado com a autorização do trabalhador, que deverá usufruir das vantagens desses programas.


Para não ser enganado, o ideal é esclarecer qualquer dúvida a respeito dos descontos no holerite no momento da contratação. "A empresa tem o dever de explicar tudo ao colaborador. Caso fique alguma questão, o funcionário pode se dirigir ao Departamento Pessoal e pedir os esclarecimentos necessários", finaliza o professor.

Por Priscilla Nery (MBPress)

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