Endividamento - quando uma dívida é boa e quando é ruim?

Será que toda dívida é problemática? Com base nesta pergunta, e também por pesquisar comportamentos em diferentes cenários econômicos, posso dizer que o fato de ter dívidas não necessariamente implica em problemas. Entretanto, é preciso saber lidar com este aspecto para que não venha a corroer a vida financeira do cidadão, seja ele pobre, classe média ou milionário.

Há diversos casos em que é necessário tomar um empréstimo, contrair uma dívida. A recente divulgação da lista de milionários da revista Forbes apontou fortunas que começaram com muito trabalho e certamente com levante de capital para investir por meio de empréstimos - o que é comum em diversas economias mundiais. Sabemos que muitas empresas usam do empréstimo para fomento de seus negócios, sua expansão. Por isso, não dá para considerar todo e qualquer empréstimo um problema. Há casos e casos.

Um exemplo de endividamento positivo é aquele que tem como objetivo aumentar a renda. Quando uma pessoa contrai um empréstimo para compra de ferramentas para seu trabalho, ela está levantando um recurso que será pago com os dividendos do trabalho resultante. Portanto, este dinheiro emprestado irá proporcionar ganhos que podem inclusive pagar todo o empréstimo a médio e longo prazo. Uma pessoa que compra um carro financiado para trabalhar - visitando clientes, aumentando suas chances de negócios - está se endividando para ter uma ferramenta capaz de incrementar os resultados do trabalho, e assim se torna um endividamento positivo.

É importante lembrar que todo endividamento exige um cálculo prévio para ser quitado conforme os termos contratuais. Sem um planejamento, dificilmente o endividamento será saudável e irá trazer os resultados de crescimento profissional e financeiro, portanto vale a pena analisar com critério antes de aceitar qualquer proposta de empréstimo, por mais fácil e apelativa que seja.

E o que é o endividamento negativo? Tudo aquilo que não traz crescimento em possibilidades de aumento de capital e trabalho: empréstimos para luxos, supérfluos e consumo desenfreado. As exceções são o investimento em educação, empréstimos para questões relativas a saúde, perdas circunstanciais (assaltos e episódios de violência) e outras condições que impliquem na manutenção da estrutura de vida. Mesmo nestes casos é sempre bom analisar possibilidades alternativas ao endividamento, que podem ser desde um parcelamento mais folgado a capitalização com parentes e amigos para casos excepcionais.

Lógico que quando é uma questão de vida ou morte não há o que analisar, e é preciso fazer, tomar emprestado para resolver um caso crítico, como uma cirurgia emergencial que precisa ser feita a tempo, ou um transporte de emergência para salvar uma vida. Nesta situação não há muito a analisar exceto o que fará o dinheiro chegar mais rápido para garantir a vida. No entanto, estes casos, bem mais raros, não são a maioria dos processos de endividamento, pelo contrário, são o número menos expressivo. Em geral, quem precisa de dinheiro rápido por razões emergenciais prioriza a quitação desta dívida o mais rapidamente possível.


Digo que ainda hoje o endividamento é um assunto complicado para o brasileiro por falta de instrução sobre o uso do dinheiro e os recursos disponíveis no mercado para quem está se iniciando em gestão financeira. Quando as pessoas se educam financeiramente é natural haver uma mudança de comportamento que traz mais segurança no uso do recurso financeiro tanto para si mesma quanto para sua família. Com conhecimento, o cidadão tem mais segurança e pode escolher criteriosamente o que fazer e como fazer com seu dinheiro.

Suyen Miranda é publicitária e consultora de finanças pessoais, atuando no Brasil, Mercosul, Portugal e Angola. Já foi consumidora compulsiva voraz e tornou-se poupadora e empreendedora, e acredita que toda mulher pode e deve ser autônoma e independente financeiramente. suyen@suyenmiranda.com.br

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