Empréstimo familiar é uma boa idéia?

Empréstimo familiar é uma boa idéia

Dívidas e contas a pagar tiram o sono de muita gente. É duro quando elas se multiplicam e é preciso pedir ajuda para não ficar com o nome sujo. Então, chega a hora de avaliar qual empréstimo e credor vale à pena.

Nesse momento, é comum lembrar daquele primo rico que vive exibindo seu carrão novo e roupas da moda nas reuniões de família. Ou daquele irmão que costuma fazer festas por qualquer motivo e adora dar presentes caros para todos. Um pensamento se torna inevitável: "Será que ele poderia me emprestar certo valor? Afinal, ele tem de sobra..."

Às vezes, um empréstimo entre familiares é uma boa ideia. "Acredito que esta é uma ótima alternativa, principalmente para pessoas que possuem dívidas que são corrigidas por altas taxas de juros como cheque especial, cartão de crédito ou empréstimos pessoais", diz Erasmo Vieira, palestrante e consultor financeiro pessoal da empresa "Planilhar", em São Paulo.

Mas, antes de pedir ajuda para um familiar é interessante avaliar o custo emocional que isso pode ter. "Infelizmente é muito comum as relações ficarem comprometidas depois de um empréstimo, principalmente quando as datas e formas de pagamento não ficam claras entre as partes", afirma Bernadette Vilhena, pedagoga empresarial e editora da seção Pedagogia Econômica do site "Dinheirama".

Isso porque um simples compromisso financeiro pode se transformar num pretexto para brigas e confusões entre as partes envolvidas. Ciúmes, inveja e comparações aparecem assim que um pagamento fica em atraso, ou mesmo se o credor negar o empréstimo.

Porém, existem algumas medidas que podem evitar - ou pelo menos diminuir - os desentendimentos. Para Bernadette, o importante é que a negociação seja feita de modo claro e direto. "Estipule as datas, as formas de pagamento e as taxas de juros a serem pagas. Negócio é negócio! E empréstimo em família também pode ter taxas de juros."

Erasmo concorda que tudo deve ficar combinado e assinado. Nada de acordos verbais.

"O correto é assinar algo como um cheque, nota promissória ou contrato registrado como garantia. O credor deve pedir isto sem constrangimento nenhum e, para o devedor, é uma obrigação fornecer. Se ele for negociar no mercado, será obrigado a fornecer garantias ou assinar um contrato."

Há casos em que o empréstimo é apenas uma das saídas para a dívida. Então é bom avaliar a situação da família antes de recorrer a ele. Se o objetivo for, por exemplo, fazer um investimento, pense: é urgente mesmo? Ou esse tão sonhado projeto pode esperar até que você tenha o recurso em mãos? Se a resposta for sim, espere.

"Dependendo do tipo de relação familiar que se vive, é melhor recorrer aos bancos do que comprometer a riqueza das relações afetivas e a sua tranqüilidade", fala a pedagoga empresarial.

Mas não precisa exagerar. "Conheço pessoas que preferem recorrer a agiotas que cobram 5% ou 8% ao mês por terem vergonha de pedir a parentes que têm dinheiro aplicado na poupança. Já vi isso acontecendo entre marido e mulher", conta o consultor financeiro. Nesse caso, vale conversar com os familiares antes de tomar alguma decisão.


Não existe constrangimento quanto a contratos ou juros referentes à transação. Portanto, o empréstimo em família é recomendado para quem tem boas relações com o parente. E o principal: o devedor deve firmar um compromisso que tenha condições de honrar. Caso contrário, o que era uma saída para problemas financeiros pode virar um problema dos grandes e arranhar as relações familiares.

Por Priscilla Nery (MBPress)

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