Quando o empréstimo bancário vale a pena

Empréstimo bancário mocinho ou vilão

O cartão de crédito estourou; o dono do mercadinho da esquina já mandou recado para que você quite a conta do mês passado; e a sua empregada ameaçou ir embora porque o salário está atrasado há um mês... Atolada em dívidas, amiga? Bem administrado, um empréstimo bancário neste momento pode diminuir os seus problemas. Mas, atenção, milagres não existem: para resolver de vez a situação, o jeito é cortar os gastos.

O especialista em Educação Financeira, Álvaro Modernell, dá as dicas de como as endividadas de plantão podem conseguir se reerguer financeiramente, pagando tudo o que devem. Confira a seguir!

- Contrair um empréstimo bancário pode levar muitas pessoas a rolar em uma bola de neve de dívidas. Mas, em certos momentos, quando o salário é insuficiente para cobrir as despesas mensais e as dívidas vão se acumulando diante dos altos juros, esta pode ser uma boa opção?

Modernell - Em matéria de dívidas, o melhor é ficar longe delas. Mas nem sempre é possível. Muitas pessoas não resistem às tentações do crédito fácil, ou são levadas a uma situação de endividamento por outros motivos como doenças, acidentes, desemprego ou mesmo pelo simples descontrole do orçamento. Então, o jeito é usar a inteligência e preparar uma estratégia para acabar com as dívidas. As regras básicas são três:

1 - acabar com as dívidas pequenas, aquelas que com pequeno esforço é possível pagá-las, como uma prestaçãozinha atrasada, um dinheiro emprestado da amiga, a conta da padaria da esquina. Para quem está endividado, é horrível ter uma série de credores, muitas dívidas, problemas se acumulando. Parece que a situação não tem saída. Até o raciocínio fica difícil. Então, deve-se organizar as coisas, eliminar as pequenas dívidas, diminuir a quantidade de credores e focar a atenção nos problemas mais complicados.

2 - priorizar as prestações das contas vencidas, aquelas que estão com juros punitórios ou que podem resultar em cobrança judicial, em confisco de bens, em prejuízos ao nome. Ainda há quem confunda estar endividado com estar com contas atrasadas. Nada disso. O conceito de dívidas abrange todos os compromissos financeiros de uma pessoa, sejam as atrasadas ou aquelas que estão em dia. Tem que pagar? Então é dívida.

Algumas situações podem causar muitos transtornos, além dos custos financeiros. Vale a pena acreditar na negociação. Procure os credores. Mostre disposição para pagar e apresente as suas condições. Quem sabe uma nova programação possa ajudar você a se equilibrar novamente.

3 - Procure eliminar as dívidas mais caras. Isso não significa pagar as de maior valor, mas aquelas cujas taxas de juros sejam mais altas. Isso porque o "rolo-compressor" dos juros compostos faz as dívidas com taxas altas ficarem cada vez mais elevadas, a pessoa paga uma parte do que deve mas o saldo da dívida continua crescendo e parece que não termina nunca.

Em todas essas situações a obtenção de um empréstimo bancário pode surgir como uma boa alternativa. Procure por condições mais vantajosas, como os consignados, ou pesquise onde podem ser obtidas as taxas menores. Com o dinheiro do empréstimo, pague as pequenas dívidas. Todas. Pague também o que estiver atrasado. Reduza a quantidade de credores. Se possível, pague as dívidas mais caras (taxas mais altas) e fique apenas com o empréstimo bancário.

Mas nada disso vai surtir efeito se a torneira não for fechada. Corte os gastos. Reduza despesas. Trabalhe mais. Faça horas extras. Busque remuneração adicional. Tem que trabalhar nos dois lados da equação: cortar despesas e aumentar receitas. Quanto mais eficiência numa ponta menos sacrifício será necessário na outra.

- De uma maneira geral, apesar dos salários nunca serem o que sonhamos, como é possível nos organizarmos para não perdermos o controle das contas e não precisarmos apelar para opções como a do empréstimo bancário?

Modernell - Independente do valor do salário, ou da renda da família, há uma regrinha simples que ao ser respeitada mantém todos afastados de dívidas: não gaste mais do que ganha. É simples. E não adianta colocar a culpa no patrão, no governo, na economia. O limite dos gastos mensais deve ser o da renda mensal. Se possível menos ainda, porque tem que separar uma parte para a poupança.

Isso não é utopia não. Muita gente que ganha salário mínimo consegue viver sem dívidas. E há pessoas com salários invejáveis, de muitos milhares de reais que ainda assim vivem endividados. Por quê? Porque gastam mais do que ganham. Simples.


É claro que nas famílias de baixa renda, quando falta dinheiro até para o básico mesmo, como alimentação, conta de energia e outras necessidades realmente básicas a situação é mais difícil. Mas ficará pior ainda se além disso tiver que pagar juros e dívidas. Mas a partir das classes C e B geralmente o problema é falta de controle mesmo. Uma prestação aqui, uma dívida ali, um excesso na balada, uma viagem de final de semana, um aparelho doméstico que estraga e está criada a confusão. O dinheiro fica cada vez mais escasso e o efeito bola de neve tem início. A dívida de um mês se soma com o excesso de gastos do outro, o déficit mensal aumenta e em pouco tempo a dívida consome grande parte da renda.

Por Adriana Cocco

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