Em momentos de crise econômica o que podemos fazer?

Confira algumas providências que podem ser tomadas nos momentos de crise
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Para sobreviver à crise é preciso tomar decisões. Saiba aqui por onde começar! Foto - Istock/AndreyPopov

 

Tudo menos ficar paralisados com medo do desconhecido, posso dizer a quem me pergunta qual a melhor atitude em cenários de dificuldade na economia. Digo isso com convicção porque tudo muda o tempo todo, e se queremos sair de um quadro de dificuldades, o primeiro passo é justamente fazer alguma coisa, e não esperar a coisa evoluir sozinha, seja para melhor ou pior.

 

Momentos de crise acontecem com todo mundo porque o dinheiro é uma energia que pouco ou nada sabemos dela – afinal, quem é que teve contato com cursos de finanças pessoais desde a escola senão muito poucas pessoas? – e justamente por desconhecermos acabamos repetindo padrões ultrapassados conservadores: temos medo de investir, queremos deixar de poupar porque parece que o dinheiro está perdendo valor e ficamos carregando um fardo emocional que nos impede de criar alternativas inteligentes.


Para facilitar o entendimento do que podemos fazer nos momentos de crise, listo algumas providências boas para se tomar:

 

1. Analise como está sua vida financeira quanto a débitos

Pode ser que você esteja com dívidas neste momento; se não, excelente. Pode ir direto para o item 2. Se tem dívidas, mesmo que não tenha como pagar nada agora, faça uma lista atualizada de tudo que você tem “pendurado” e que precisa ser pago: contas atrasadas, dinheiro emprestado, cheques, parcelas em aberto. Faça isso para ter clareza de como está o volume de endividamento assim você poderá calcular quanto precisará fazer (tema do item 3).

 

2. Analise o que compõe seu patrimônio 

Ok, algumas pessoas não tem qualquer bem em seu nome, mas lembre que patrimônio é tudo aquilo que pode gerar recursos. Avalie criteriosamente o que possui e que tem a condição de ser transformado em dinheiro, desde a coleção de discos de vinil que raramente ouve (pois precisa de um toca discos e neste momento você não tem), joias quebradas que não usa, livros encostados que podem ser vendidos em sebos. Isso pode ser pouco em termos financeiros, mas compõe o que você pode considerar como um bem. Será que você ainda tem ações de empresas de telefonia, quando o setor era público? E aquela caderneta de poupança meio esquecida? Sabe quanto vale o seu carro? Faça um inventário do que possui e que pode gerar valor.

 

3. Pense em empreender

Neste momento pode ser que você não tenha como fazer mais dinheiro além do salário (não caia na tentação de antecipar décimo terceiro para gastar com dívidas porque vai fazer diferença no fim de ano...), então deixe a criatividade rolar solta com ideias capazes de gerar dinheiro: desde ser babá de fim de semana, fazer jardinagem para vizinhos, bolos caseiros, reparo de roupas, fazer sobrancelhas e tingir cabelos de amigos e conhecidos, configurar computadores e smartphones, passear com cães, fazer brigadeiros, vender em lojas nos fins de semana... Não faltam ideias capazes de fazer você trabalhar e produzir um dinheiro extra. Isso é empreender. Pode ser que estas atividades rendam um bom resultado e gerem um extra tanto para amortizar dívidas quanto para fazer uma poupancinha e investir. O importante é NÃO FICAR PARADO(A)!

 

4. Evitar gente alarmista e despreparada com palpites sem pé nem cabeça

Rumores de confisco, mudança de moeda, quebra de mercado são atualmente os zumbis da economia. Já houve confisco sim, mas as leis atuais impedem que este tipo de recurso seja operado pelo governo, mas muita gente tem fresquinho na memória a dificuldade vivida na economia brasileira há 25 anos. Se ouvir algo assim, ou mesmo gente reclamando que a vida está difícil, não caia na tentação de aumentar o coro ou de querer impor sua opinião superpositiva. Aproveite sua energia para o item 3, e empreenda. Agir mostra mais sabedoria que falar, principalmente nestes casos.

 

5. Ficar de olho nas oportunidades

Pode não ser o momento ideal para viajar porque “ o cobertor financeiro está curto”, mas que tal trocar a viagem cara por algo mais em conta, mais perto e com melhor funcionalidade financeira? Outra ideia é analisar o mercado do que está vendendo bem, vendendo mais, como os segmentos de beleza, e pensar em investir com conhecimento mas sem medo. Muita gente consegue crescer em meio à crise porque foca nos segmentos que crescem em meio a dificuldades. Pode bem ser o seu caso, principalmente se você acompanhar as notícias de economia e consumo – irá encontrar oportunidades, com certeza!

 

6. Lembrar que suas finanças são um valor e respeitar isso

Mesmo em dívidas, cuidado para não começar a culpar os outros pelos seus problemas financeiros. Costumo dizer que somos nós que gastamos impulsivamente, agimos de forma emocional com o dinheiro e acabamos perdendo o pé no mar da economia. Seja carinhoso com suas finanças sabendo onde o dinheiro que você faz (via salário, remuneração variada, aluguéis e toda fonte ética) é gasto. Dinheiro gosta de quem o respeita, valoriza e agradece ao invés de culpá-lo pelas mazelas sociais. O dinheiro que você tem é energia oriunda do trabalho seja seu ou dos seus antepassados – portanto digno de valor (que não é apego, são coisas bem diferentes).

 

A última dica é simples: mesmo em crise, saiba que tudo passa. O mundo gira, a economia movimenta todos e tudo o tempo todo. Não se envergonhe por ter dívidas hoje, mas não se acostume; não se sinta mais que os outros porque tem dinheiro hoje – tudo pode mudar. Lide com suas finanças de forma prática, franca, afetuosa e respeitosa: uma vida financeira próspera torna-se, certamente, aliada da sua felicidade.

Suyen Miranda é publicitária e consultora de finanças pessoais, atuando no Brasil, Mercosul, Portugal e Angola. Já foi consumidora compulsiva voraz e tornou-se poupadora e empreendedora, e acredita que toda mulher pode e deve ser autônoma e independente financeiramente. Contato: suyen@suyenmiranda.com.br

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