Educação financeira ajuda nas aulas de matemática

Educação financeira no dia a dia

Foto: Stuart Miles http://goo.gl/6xFbP

Educar financeiramente os filhos é uma coisa bem recente na nossa sociedade; muitos de nós aprenderam a lidar com o dinheiro intuitivamente observando os adultos e sem qualquer orientação - muito por desconhecimento, é importante salientar. No passado outro fator que também atrapalhava este processo era o status da economia brasileira, que realmente desafiava os consumidores por conta da inflação galopante. Hoje temos um cenário bem mais agradável que nos permite partilhar desde cedo com as novas gerações.

Um argumento importante na educação financeira infantil é que ele se torna um aliado e tanto no aprendizado. Ensinar crianças o valor de moedas e notas ajuda muito no processo matemático e lógico: a criança começa a entender o sistema de trocas, as subtrações, as adições, multiplicações e divisões. Quando ela percebe que uma moeda de um real equivale a dez moedas de dez centavos, ou que 0,25 são a quarta parte de um inteiro por meio do dinheiro é como trazer o conhecimento escolar para a realidade da criança. Aqui vão algumas dicas que ajudam bastante neste aprendizado:

. Em casa, estimule a poupança do clássico cofrinho, preferencialmente escolhendo um que tenha a opção de abrir e retirar as moedas - não compre aqueles que implicam em destruir o cofrinho, pois a ideia é que a criança tire, conte a quantidade e se quiser poderá começar nova poupancinha - e auxilie-a a calcular o que fazer com o dinheiro. Evite comentários do tipo "dinheiro é sujo", e esclareça que é como um objeto do cotidiano, que deve ser cuidado, mas nunca posto na boca. Deixe que a criança brinque - sob sua supervisão, sempre - e ao final incentive-a a contar quanto dinheiro ela tem.

. Crianças podem ter sua poupança no banco, portanto faça isso de forma marcante para elas: leve as crianças ao banco para que elas percebam a importância da conta poupança e, assim, estarão motivadas para guardar sempre um pouquinho. Dentro da sua possibilidade, leve-as ao banco para os pagamentos e explique como funciona o sistema: o banco recebe os pagamentos das contas da casa, troca os cheques por dinheiro e por isso é um aliado no cotidiano financeiro. Evite se queixar da vida financeira na presença de crianças.

. Levar as crianças no supermercado pode ser um exercício bacana: ao invés de deixá-las soltas, peça a elas para procurar os produtos pelo valor, seja olhando nos códigos de barras (isso as ajuda a entender tecnologia), seja nas etiquetas, e estimule o cálculo de valor, somando tanto no papel como com uma calculadora. Faça disso uma atividade lúdica, como uma brincadeira, para ver o quanto a compra irá custar no final.

- Na feira livre, a criança tem muitas oportunidades de ver a diferença de preços de uma banca para outra, e pode analisar o conceito de custo-benefício; muitas vezes a fruta maior custa um pouco mais, ou a menos bonita um pouco menos. Se o hábito se tornar regular, a criança irá perceber as variações de valor que são comuns conforme a safra. Isso também ajuda no exercício do uso inteligente dos recursos, comprando os produtos de época - que sempre custam menos - e principalmente consumindo o que compraram para evitar desperdícios.

- No shopping center é possível ensinar o consumo consciente. Mostre à criança uma lista com o que se pretende comprar, ou se será simplesmente um passeio - mas deixe isso claro antes de sair de casa, para evitar cenas constrangedoras. Uma dica para quem gosta de passear em shopping com os filhos é comentar sobre a moda e mostrar os valores, depois em outra oportunidade mostrar que as liquidações reduzem bem o preço e, portanto vale analisar o que comprar e quando. Isso auxilia na compreensão do senso de oportunidade, algo que é fundamental no cenário de negócios.


O conceito da lógica e da matemática pode ser bem mais facilmente compreendido usando as finanças, e isso traz múltiplos benefícios: acaba a dificuldade e a mística da matemática como bicho de sete cabeças, auxilia a criança a entender o valor do trabalho e do pagamento, do salário e das contas de casa, facilita a compreensão por parte dos pequenos do custo das coisas e estimula o senso de terem sua independência financeira futura. Leva um tempo e paciência educar financeiramente desde cedo, mas os dividendos desta iniciativa se transformarão em empreendedorismo e senso de prosperidade que irão acompanhar os filhos por toda a vida. Vale a pena, basta começar!

Suyen Miranda é publicitária e consultora de finanças pessoais, atuando no Brasil, Mercosul, Portugal e Angola. Já foi consumidora compulsiva voraz e tornou-se poupadora e empreendedora, e acredita que toda mulher pode e deve ser autônoma e independente financeiramente. suyen@suyenmiranda.com.br

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