A economia sustentável do seu dinheiro

A economia sustentável do seu dinheiro

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Bom, os pais sempre dizem aos filhos que dinheiro não dá em árvore... Mas, nos dias de hoje, preservar os recursos da natureza pode render uma boa grana, sabia? Afinal, como diz Gustavo Nagib, o pão-duro mais famoso do Brasil e autor do livro "A economia sustentável do seu dinheiro - Tudo o que você precisa saber para fazer mais por menos", da Matrix Editora, o consumo está diretamente ligado à preservação do meio ambiente. Consumir moderadamente faz com que as técnicas de autossustentação e as idéias de reciclar, poupar e otimizar nos proporcionem uma vida melhor da Terra. E o seu bolso com certeza agradece!

O pão-duro moderno, segundo Nagib, não é um sovina rabugento, mas uma pessoa que sabe usar seus recursos de forma inteligente. Na entrevista a seguir, ele dá dicas de economia sustentável, um termo, aliás, que está na moda, mas nem sempre é praticado por quem utiliza este discurso.

- Atualmente, quase todo mundo adora falar sobre sustentabilidade. De maneira geral, o discurso de consumir e preservar o planeta simultaneamente faz mesmo parte da prática do dia a dia das pessoas?

Nagib - A palavra "sustentabilidade" é vendável, por isso muito usada. Não sejamos ingênuos: em todos os segmentos há estratégias para vender (desde a imagem ao produto propriamente dito). O ruim é que muitas vezes não passa de discurso. Aquele defensor da sustentabilidade, muitas vezes, o faz do seu gabinete que não conhece o ar externo, a iluminação natural. É um consumidor exagerado de energia. Outras muitas vezes não recicla lixo em casa, mas tem o discurso da "sustentabilidade". O que ainda não faz mais gente participar de ações no dia a dia é que essa pessoa não vê o efeito imediato daquela ação. Só dizer a ela que é para preservar para o filho e netos não surte efeito. Agora, com a retirada dos sacos plásticos dos mercados (que, cá entre nós, era um adianto para a lixeira lá de casa), houve uma tentativa, pois ofereceram descontos ao não usar as sacolas. Mas são R$ 0,03 a cada cinco itens comprados. Muito pouco ainda... Mas é por aí: poupou, preservou, tem que ter um retorno imediato para motivar.

- Quais são os principais pecados de quem gasta dinheiro sem se preocupar com as reservas do planeta? Ou seja, como agem os que não sabem gastar com sustentabilidade e quais as consequências?

Nagib - Deixar-se se levar por essa onda de consumo desenfreado. É possível alguém me explicar como uma pessoa tem 20 pares de sapatos e ainda quer outros? E olha que fui bem generoso no exemplo. Para nós homens, dois pares são suficientes, mais um ou outro tênis. Como ter dez calças e querer mais? Hoje em dia, consome-se por consumir. Está triste? Consome! Feliz? Consome!

Um efeito imediato não se dá no planeta, dá-se no bolso de quem consome desenfreadamente. E é por isso que resolvi tocar no assunto neste livro. As consequências são duas: uma superprodução que afeta nosso meio ambiente e dívidas.

- Quais são as recomendações do livro a essas pessoas? Poderia citar alguns exemplos?

Nagib - Basicamente seria repensar nossos hábitos de consumo. Mas eu digo isso sem ter de dizer isso. Quando eu escrevo que comprar é como namorar, devemos olhar o produto, trocar um telefone, e-mail, marcar uma saída até consumar o fato, eu estou dando uma trava nesse consumo desenfreado. Não escrevi nunca isso em meus livros, mas no fundo o que quero dizer é: o barato da vida não está no ato de comprar, mas de compartilhar histórias com amigos, parentes. Buscando textos bem-humorados, o que mostro é isso: comprar é bom, mas vivenciar histórias é melhor.

A consequência disso é o desaceleramento no consumo pelo consumo e, claro, menos endividamento.

- É possível mensurar o que se deixa de gastar financeiramente, ao longo do tempo, com algumas ações que visam a sustentabilidade?

Nagib - Não conseguiria... Até porque o retorno de quem tem essa preocupação é lento. Imediato é o retorno no bolso. O meu caminho acabou sendo inverso. Primeiro, desde pequeno, criei o hábito de lidar com o dinheiro de forma precavida, sem dar passo maior que a perna. Depois que vi que assim, de certa maneira, estamos ajudando o planeta. Repito: levantar bandeira do meio ambiente para nossos netos é bonitinho, mas pouco eficiente. Se mostrar que o nosso bolso fica menos vazio, acaba atingindo a preocupação que temos de ter com um ambiente melhor.

- O livro prova, mais uma vez, que o pão-duro de hoje em dia na verdade é uma pessoa inteligente e com criatividade na economia de recursos?


Nagib - É claro que o livro trata de um pão-duro atual, sem ser aquele mesquinho de tempos passados. Como friso, até o pão-duro evoluiu (rsrs...). Se não evoluísse, não teria vida social. Mas, ao mesmo tempo, se deixasse de lado aquela mãozinha fechada, se envidaria. O pão-duro que trato é aquele ser que faz tudo (ou quase) que todos, mas com parcimônia, cautela, o cara que usa a criatividade e dá um drible na crise. Aliás, morre de rir com a crise, que tenta de todas as maneiras levá-lo ao vermelho no banco e ele escapa, com criatividade de moderação nos gastos. E aí está a inteligência. Sabemos que não levaremos nada para o caixão, como gostam de dizer os gastões, mas que poderemos dormir mais tranquilos, porque nossa fatura do cartão de crédito foi paga integralmente, uma vez que não veio muito alta...

Por Adriana Cocco

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