Dívidas podem causar depressão e distúrbios do sono

Todo mundo conhece alguém que já perdeu ao menos uma noite de sono por problemas financeiros. Dificilmente é possível esquecer as contas vencidas, mesmo porque os credores não deixam! Pois saiba que excesso de preocupação com dinheiro pode causar prejuízos para a sua saúde.

Problemas ainda maiores devem ter aqueles que foram milionários e perderam toda a fortuna. Um dos casos mais famosos é o da cantora norte-americana Whitney Houston, morta em fevereiro deste ano. A diva pop vendeu mais de 170 milhões de discos em todo o mundo e perdeu todos os bens após se envolver em constantes escândalos e abuso de drogas. A depressão se tornou ainda maior com a perda de todo o dinheiro.

Para a psicóloga clinica e orientadora do comportamento financeiro, Dra. Patrícia Rezende, problemas financeiros podem, sim, trazer males à saúde. Ela não fala apenas da perda de fortunas, mas de simples contas atrasadas, perda do emprego, empréstimos a quitar ou necessidades básicas para suprir.

Doenças graves e crônicas podem surgir de momentos como estes. Para a psicóloga, as mais comuns são as cardiovasculares, por exemplo: pressão alta, arritmia cardíaca e acidente vascular cerebral. Estudos do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (São Paulo) apontam que 29,4% dos brasileiros sofrem de doenças como essas, 60% desses pacientes são homens, com média de idade de 56 anos.

"Indivíduos que têm personalidade mais controladora tendem a sofrer mais de problemas do coração. Já pessoas emocionais tendem a deprimir diante da crise financeira", afirma a psicóloga. "Depende do perfil da pessoa. Ela se deprime ou se desespera", completa.

A psicóloga Marcella Almeida, da Clinica de Especialidades Integrada, concorda com Dra. Patrícia e acrescenta que problemas financeiros podem causar ainda depressão, estresse, alcoolismo, ansiedade e distúrbios do sono.

Dra. Patrícia avalia que pessoas com autoestima baixa sofrem mais com estas doenças. Ela explica: "Pessoas desse perfil têm tendência a apresentar mais problemas. Elas confiam no dinheiro e no poder financeiro, não nelas próprias."

O tratamento mais comum nestes casos é a terapia. "Mesmo quando a doença é física o médico recomenda o tratamento psicológico", diz. O próprio acometido pode ter a consciência de que não está bem e procurar orientação médica, de acordo com a psicóloga. "A família também pode ajudar a pessoa que está passando por este tipo de dificuldade, dando o amparo necessário", completa a Dra. Marcella.


Até as empresas, por saberem das consequências que as crises financeiras podem trazer aos seus funcionários, já tomaram uma atitude. "As organizações estão adotando protocolos para checagem do estado de saúde de seus colaboradores. O objetivo é detectar precocemente todo tipo de disfunção, sejam elas financeiras ou afetivas", cometa Dra. Marcella.

Por Bianca de Souza (MBPress)