Devedores Anônimos

Devedores Anônimos

C. é uma mulher de 38 anos, trabalha em São Paulo como contabilista e luta contra sua dificuldade em lidar com o dinheiro. Não, ela nunca foi uma pessoa que acumulava dívidas. Muito pelo contrário: era avarenta consigo mesma! Mas, acredite, chegava a fazer dívidas em seu nome em favor de outras pessoas. Quando sentiu que vivia um grande tormento por conta disto, resolveu procurar ajuda. E há 8 anos e dois meses passou a frequentar os Devedores Anônimos (D.A.).

Desde 1997 no Brasil, a entidade é uma irmandade que, a exemplo dos Alcoólicos Anônimos, recebe pessoas portadoras de uma doença para ajudá-las a superar suas dificuldades. No caso, a doença se manifesta por meio do endividamento compulsivo, que é incurável, mas pode ser controlado com base em 12 passos e 12 tradições.

De acordo com informações do D.A., o devedor anônimo é quase sempre uma pessoa competente, trabalhadora, com uma tendência quase incontrolável de querer agradar e ajudar a todos, muitas vezes até em detrimento próprio. Contudo, em se tratando de dinheiro, não tem controle, disciplina, preocupação em ganhar, em guardar e em pagar. Sua total falta de controle, seu desapego, excesso de confiança de que em breve colocará tudo em ordem acabam por levá-lo ao desespero, perda de autoestima, com sérias consequências. A pessoa que tem medo de gastar também se encontra entre estes sofredores.

"Temos reuniões com duração de duas horas - a primeira parte é do estudo da literatura para o entendimento do endividamento compulsivo; a segunda, depoimentos pessoais de acordo com nossas experiências de recuperação. Após três meses - no mínimo de seis reuniões - o membro pode fazer um alívio de pressão, que é a revisão da situação financeira com dois membros mais antigos. Os encontros acontecem semanalmente - em São Paulo, temos dois grupos", diz C.

Ela conta que, em geral, os devedores que participam dos encontros chegaram ao local após perderem a família, amigos, relacionamentos, dinheiro... "Os participantes são pessoas que têm problemas de ordem emocional e tentam suprir suas carências através das compras; bem como pessoas extremamente pródigas que não sabem dizer não a um pedido. A participação de homens e mulheres é equilibrada. Temos diversas faixas etárias; contudo a média de idade é de trinta e cinco anos".


Segundo C., por meio dos encontros no Devedores Anônimos é possível, sim, superar o problema. "Contudo é necessária a frequência constante. Quanto ao tempo, é muito relativo. Alguns superam mais rápido; outros, mais devagar".

Para iniciar a participação é preciso buscar informações no www.devedoresanonimos-sp.com.br. No site há, inclusive, um questionário que indica a existência ou não de problemas com endividamento compulsivo em quem responde às perguntas.

"O comprometimento é fundamental", ressalta C.

Por Adriana Cocco

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