Garota home broker

Garota home broker

Sejam elas jovens, maduras, conservadoras ou arrojadas, aposentadas ou na ativa, casadas ou solteiras, o fato é que investir dinheiro na compra de ações vem se tornando uma opção cada vez mais comum entre as mulheres.

Carin Burin, administradora, 35 anos, casada, moradora da cidade de São Paulo é uma delas. Em 2006, aos 31 anos, incentivada pelo marido, especializou-se neste tipo de investimento. Tornou-se uma home broker, ou seja, uma investidora que faz suas próprias operações por meio de uma corretora de valores. Gostou tanto que profissionalizou-se no assunto. E, por isso, passa um pouco da sua experiência aqui no Vila Sucesso. Vocês não imaginam como ela aprendeu a lidar com o dinheiro...

- Muitas mulheres desejam investir na compra de ações, mas não sabem por onde começar. O que elas devem fazer?

Carin - Primeiro devem procurar uma corretora de valores, ver se gostam do trabalho desenvolvido no local, tomar conhecimento dos valores de corretagem. O segundo passo é abrir uma conta e começar a investir. Antes, porém, é necessário conhecer um pouco do mercado, talvez indo a algumas palestras e cursos oferecidos pela corretora para se ambientar com o sistema, ou mesmo entrando num clube de investimento quando o seu tempo é mais curto, para ir se aprimorando aos poucos.

- É difícil ganhar dinheiro com a compra de ações?

Carin - Tudo depende de como se aplica e que estratégia se utiliza, além de quais empresas você vai aplicar o dinheiro. Para dar certo, é preciso investir em empresas sólidas e que se identificam contigo. É preciso gostar da empresa e comprar os papéis pensando em longo ou médio prazo. Exemplo: se gosta de papel e celulose, siderurgia, você deve se focar neste mercado e verificar qual empresa você acha mais sólida e que tem mais probabilidade do papel subir.

A chance de dar errado acontece quando investimos baseadas no que os outros dizem. Você vai comprando no ‘oba-oba’ sem conhecer a empresa, sem verificar se ela está bem posicionada, se tem perfil de crescimento e se não está endividada. É preciso saber de que empresa você está comprando o papel, porque você está se tornando sócia dela. Então tens que acreditar naquilo em que vais ser sócia porque uma parte também é sua!".

Além disso, na hora de comprar, deve-se analisar qual a situação do mercado, conversar com os corretores, ler, prestar atenção nas notícias. Tudo isso é fundamental".

- Você já enfrentou a experiência de perder dinheiro com este tipo de investimento? O que sentiu e o que fez para se recuperar?

Carin - Sim. Tivemos a crise de 2007/08 e como todos eu perdi também. Foi bem doloroso, mas serviu para eu aprender e prestar mais atenção no mercado e informações.

- Dizem que as mulheres são mais conservadoras que os homens no mercado financeiro. É verdade?

Carin - Sim, as mulheres são mais pacientes e não têm pressa de ganhar, sabem lidar melhor com altos e baixos e sabem que a longo prazo vão ser bem sucedidas. O homem é mais imediatista neste caso.

- Quais os reflexos de seu aprendizado como investidora em todas as outras áreas econômicas da sua vida? Por exemplo, na hora de comprar um carro, um imóvel, ir ao supermercado, fazer compras no shopping. Ficou mais fácil planejar e fazer bons negócios?


Carin - Estas coisas sempre acabem refletindo no dia a dia, porque você acaba controlando melhor o dinheiro e guardando mais para poder aplicar. Isto faz com que prestemos mais atenção nos gastos, com que façamos planilhas para o controle mensal do dinheiro, analisando melhor os investimentos e aquisições. Como quando poderá ser a melhor época para trocar de carro ou investir no imóvel. Mas isto foi no meu caso, foi o que eu aprendi neste tempo. Fazer bons negócios a gente nunca acerta 100%, mas tenta sempre fazer o melhor. E quando pensarmos em aplicação, sempre temos que lembrar que só se aplica aquilo que, se viemos a perder por algum motivo, não fará falta no orçamento da casa.

Por Adriana Cocco

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