Dicas para a sua saúde financeira

Consumidoras compulsivas

Ninguém nasce com o impulso de consumir a todo momento. Fazer compras acaba se tornando uma forma compensatória para lidar com frustrações e ansiedade. O ato de comprar traz uma sensação de conforto e redução da dor, mas por pouco tempo, que custará muito caro no futuro. "A pessoa em desequilíbrio e inconsciente do que está a fazer compra alguma coisa - seja desejada ou não - e tem seu momento de alívio, de satisfação", diz a consultora financeira Suyen Miranda.

Segundo a consultora, o compulsivo não precisa comprar algo novo todos os dias, mas sempre adquire coisas em momentos de desconforto emocional, muitas vezes sem que o produto tenha utilidade efetiva, ou mesmo se deixa iludir por promoções e outras formas de estímulo ao consumo projetando um futuro diferente, como que com a compra de um determinado bem algo novo fosse acontecer na vida, ou encerrar algum processo.

"É o caso comum da mulher frustrada que resolve comprar roupas novas para esquecer um amor antigo, ou com a desculpa de que daquele momento em diante fará melhores escolhas afetivas. Ambos processos decisórios podem acontecer, mas precisam vir de dentro para fora, e não o contrário, precisando do auxílio de roupas ou outros objetos", explica.

Algumas soluções práticas são apontadas por Suyen para minimizar o problema, mas jamais substituem um bom processo de autoconhecimento terapêutico:

  • Não carregar cartões de crédito ou cheques o tempo todo. Se um produto interessar, e o interesse for legítimo, a pessoa terá que voltar para casa, pegar o cartão ou os cheques e retornar ao estabelecimento; neste meio tempo é muito comum que o compulsivo repense o que vai comprar e possa agir com racionalidade, postergando a compra.

  • Antes de comprar alguma coisa, respirar fundo e refletir qual a verdadeira utilidade do objeto considerando o momento financeiro pessoal. É algo que pode desequilibrar o orçamento? Se a resposta for sim, prefira poupar o valor e posteriormente adquirir. Mas é algo que pode produzir mais recursos? Analise criteriosamente se vale a pena se endividar por alguma coisa que tenha verdadeiras possibilidades de se pagar, ou gerar renda. Em caso contrário, espere um pouco mais.
  • Compras de luxo devem ser feitas somente à vista. Quando se trata de luxo, ou qualquer coisa que seja simples e mero ''objeto de desejo'', se houver uma dívida por trás, a culpa pela compra fatalmente virá, e o objeto tão desejado será transformado em um problema ao invés de um delicioso deleite.
  • Mesmo com um orçamento apertado, tenha uma folga para atividades de lazer, nem que seja somente o dinheiro da gasolina. A falta de um lazer, que pode ser uma caminhada no parque com a família, ou visitar museus e espetáculos públicos gratuitos ou quase, ajuda a minimizar o estresse do dia a dia e estimula uma postura mais racional.
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