Devo agora quitar meu financiamento imobiliário?

A resposta será não se houver dinheiro, porém zero de poupança em caixa e dívidas a quitar
casa própria

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A resposta será "sim" se você tiver o montante e mais algumas economias que possam servir como um colchão de segurança para alguma eventualidade inesperada financeira. Nenhuma dívida, tudo funcionando direitinho, a entrada de capital mensal cobre os custos de moradia, vida, educação, saúde, alimentação e lazer sem apertos (ok, não é para esbanjar... dinheiro para comprar bolsa cara não se enquadra aqui). 

A resposta será "depende" se você tiver o montante quase total e algumas “coisas penduradas” que precisam ser resolvidas e quitadas. Lembro que ter um bem pode implicar no arresto dele para pagamento de dívida, sobretudo dívida trabalhista. Procure antes de tudo deixar seu nome em ordem, negociando eventuais passivos mesmo antigos – alguns nunca irão caducar, portanto lembre-se disso – para depois até amortizar a dívida lembrando que é fundamental ter um colchão de segurança financeira. 


Imprevistos podem ocorrer, tanto do ponto de vista de algo maravilhoso e inesperado (um curso no exterior, uma promoção profissional que requeira sua mudança de residência) como algo não tão empolgante. 

A resposta será "não" se houver dinheiro, porém zero de poupança em caixa e dívidas a quitar. Comece quitando as dívidas após negociar cada uma delas propondo um acordo, agilizando o pagamento da melhor forma. Depois calcule quanto você precisa ter de reserva financeira para passar ao menos seis meses sem renda. Analise então a possibilidade de amortização da dívida da sua casa, considerando que, no geral, financiamentos imobiliários bem baratos estão com os seguintes índices de custos:

Pelo Minha Casa Minha Vida (8,16%), precisamos lembrar que não é só a taxa de juros que nos auxilia a calcular. Temos algo maior, que é o custo do financiamento, que modifica caso a

caso pois é aplicado um fator de correção sobre o saldo devedor, que é Taxa Referencial (TR). Daí o cálculo será de 8,16% somado à TR, que no ano passado ficou em 1,7954%. Além disso, existe a taxa de administração mensal cobrada pela Caixa Econômica Federal, estipulada em R$ 25, que conforme o valor da dívida, pode se tornar um adicional anual de até 0,7% ao ano. Temos ainda o custo do seguro, que se altera conforme o perfil do cliente, podendo chegar a 0,08% ao ano. Somando tudo isso, temos 8,16% + 1,7954% + 0,7% + 0,08% , que traz o custo total de 10,7354% ao ano.

Ainda falando em números, posso dar como certo que poupança é inviável para valores expressivos (como no caso para quitação de financiamento) e outras modalidades podem sim ser muito interessantes pois trazem retorno maior que o custo do financiamento anual – se pensarmos em termos de longo prazo. Alguns investimentos além da poupança não

tem cobrança de impostos para pessoa física desde que seguindo os períodos de carência do investimento (não é possível tirar antes do prazo determinado).

Mas aqui nesta conta existe um fator muito importante, que não é medido exatamente em números: a sua tranquilidade por ser o local onde você reside. Se na sua opinião e sentimento o melhor a fazer é quitar o financiamento, ter a escritura no seu nome e nenhuma outra dívida relativa ao imóvel trazendo paz e segurança, faça a quitação. Este custo de bem estar e realização supera qualquer rentabilidade de investimento.

Se você pensa em quitar e ficar em paz mas tem os “pendurados” de dívidas e zero de poupança em caso de necessidade, amortize considerando que antes de tudo suas dívidas sejam quitadas e uma pequena poupança esteja ao seu dispor – mas não a use, exceto em caso de necessidade. Paralelamente, vá se inteirando sobre investimentos, é um conhecimento que parece complicado mas não é, pelo contrário, traz muita satisfação pois é seu dinheiro.

O importante nesta equação é decidir com racionalidade aliada à subjetividade do que fará bem a você. Para algumas pessoas, ter casa própria é algo impensável, pois elas preferem alugar conforme sua preferência do momento; graças a elas o mercado imobiliário está  sempre em movimento dinâmico, trazendo rentabilidade por meio de aluguéis para quem investiu neste sentido. Para outras, ter um chão e chamar de seu é uma grande conquista, talvez estas pessoas sejam as primeiras da família que conseguiram ter um imóvel próprio, portanto é um valor que não deve ser desprezado.

O maior lucro de uma aplicação está diretamente ligado ao seu sentir bem. Analise, pense, calcule, traga para si a decisão e faça. Com certeza será algo que muito vai te ensinar sobre valorização, tanto de investimento quanto pessoal. 

Suyen Miranda é publicitária e consultora de finanças pessoais, atuando no Brasil, Mercosul, Portugal e Angola. Já foi consumidora compulsiva voraz e tornou-se poupadora e empreendedora, e acredita que toda mulher pode e deve ser autônoma e independente financeiramente. Contato: suyen@suyenmiranda.com.br

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