Culpadas por enriquecer

Culpadas por enriquecer

Quanto vale uma mulher? Qual o preço de sua liberdade financeira? E por que, no Brasil, a grande maioria delas nunca alcança a realização deste sonho? Difícil de acreditar, mas a resposta é dura e simples: mulheres sentem-se culpadas por enriquecer.

A análise da complicada relação entre o sexo feminino e o dinheiro é o foco da autora Andréa Villas Boas no livro "Valor Feminino - Desperte a Riqueza que há em você". A edição, que traz dados de pesquisas oficiais e outros recolhidos entre mais de 500 entrevistados, revela, por exemplo, que três em cada quatro idosos pobres são mulheres e que sete em cada dez brasileiras enfrentarão a pobreza em algum momento da vida. E pasme: de 1998 a 2008, o número de famílias sustentadas por mulheres, mesmo havendo um marido, aumentou de 2,4% para 9,1%.

Não pense, querida vilamiga, que isto acontece porque nós não pensamos no nosso futuro. Mas é que são tantas coisas pela frente...

"As mulheres pensam em seu futuro, sim. O problema é que muitas não partem para a ação, ficam só pensando - fantasiando, imaginando - mas sem construir efetivamente as bases para isso. A maior parte desconhece que será responsável pelo próprio sustento e, por isso, não toma hoje as medidas para um amanhã melhor. Quando poupam, muitas mulheres fazem o raciocínio inverso do que deveriam. Elas economizam aquilo que sobra no fim do mês. Isso raramente dá certo. O melhor caminho é reservar uma quantia e poupar no início do mês, e ter a disciplina de viver dentro do orçamento restante até o mês seguinte", diz Andréa.

A autora conta que constatou claramente a dificuldade feminina em lidar com as finanças. Ela diz que algumas mulheres têm medo de enriquecer porque acreditam, erradamente, que ter dinheiro equivale a não ter escrúpulos. "Outras não sabem enriquecer porque não foram educadas para isso, não receberam estímulos e, também, por omissão delas mesmas: não foram atrás da informação, não tiveram seu interesse motivado para isso. Por fim, há as que não estabelecem prioridades porque se dedicam a resolver os problemas imediatos e não focam no dia depois de amanhã".

Só que isso, diz a autora, pode ser uma armadilha perigosa, porque um empréstimo quita o cartão de crédito e depois um financiamento quita o empréstimo no banco. "No fim, por falta de disciplina, falta de conhecimento e falta de atitude, essa mulher paga valores absurdos de juros, suja o nome, vive sob enorme pressão e nunca constrói nada".

Prioridades e disciplina

Mas, como para tudo na vida sempre há alguma solução, a parte boa é que esta situação pode ser revertida! Estabelecendo prioridades, mantendo a disciplina e aprendendo um pouquinho, é possível organizar a vida financeira de um modo saudável, gratificante e próspero! Veja a orientação de Andréa.

"Resumidamente, o primeiro passo é controlar os gastos, anotar quanto se paga em quê, quando, por quê. Olhar esta tabela depois de dois ou três meses já é revelador de sua situação.

Em segundo lugar, é preciso ter objetivos - o que eu quero? Quanto custa realizar isso? Qual é a melhor forma de acumular o valor necessário para a realização?

Em terceiro lugar, informar-se sobre opções de investimento que ajudem a obter o valor necessário para realizar aquela meta. Todo esse processo passa, antes, por entender os motivos que a impedem de enriquecer: qual sua dificuldade? Medo? Culpa? Falsas crenças? É preciso ‘limpar o caminho’ para a construção da riqueza. Às vezes, ler um livro já é um bom começo!"


Quer mais um bom incentivo para arregaçar as mangas? Entre outras tantas, o livro conta a história da carioca Ana Cláudia, de 28 anos, que passou por uma infância pobre diante de uma família financeiramente desestruturada, que não via problemas em tomar dinheiro emprestado com o vizinho do lado para saldar a dívida com o da frente. Esta moça, hoje, poupa, investe e ainda ensina o filho a lidar com dinheiro, dando-lhe uma mesada de R$ 40.

Para refletir...

Por Adriana Cocco

Comente

Assuntos relacionados: mulher sonho preço enriquecer