Cuidado com o esquema pirâmide!

Cuidado com o esquema pirâmide

Foto: Duncan Smith/Corbis

Quando você encontrar por anúncios como "ganhe dinheiro fácil" ou "fique rico sem sair de casa", desconfie. Você pode se dar mal e entrar num esquema conhecido como pirâmide. O alerta voltou a ser acionado por que há alguns dias o Ministério da Justiça abriu processo administrativo contra a empresa TelexFree por indícios de formação de pirâmide financeira.

No esquema adotado pela empresa, que trabalha com sistema VoIP (telefonia para internet), você é pago para divulgar anúncios dela na internet. Só que para se tornar um divulgador o interessado precisa fazer um cadastro e pagar uma taxa de adesão mensal. Os valores são em dólar. Um deles custa US$ 49,90 (mais de R$ 111 por mês).

Segundo informações divulgadas no programa "Fantástico", estima-se que quase um milhão de pessoas em todo o Brasil se associaram à empresa TelexFree. O consultor financeiro Antônio De Julio explica que uma pirâmide nada mais é do que um esquema financeiro que visa gerar ganhos a partir do recrutamento constante de novos membros que estejam dispostos a aderir ao esquema.

Ele dá um exemplo: Antônio tem um produto ‘maravilhoso’ e está ganhando muito dinheiro com ele. Faz uma reunião em casa, convida vários amigos, manda "adesivar" o carro dele (de preferência 0km, não importa se está pago ou não) com a marca do produto e chega bem alinhado para palestrar. Fala das vantagens do produto (o produto até pode ser muito bom), mas, na verdade, não estimula as pessoas a vendê-lo. Ele fica nas vantagens em ser um ‘gerente’ de pessoas ao seu redor vendendo o produto para ele.

"É como se fosse uma ‘franquia virtual’. Só que para aderir a ela, eu preciso comprar um ‘kit inicial’, ou um pacote mínimo de minutos por mês ou período, e por aí vai. A pessoa acaba mais interessada em vender franquias do que o próprio produto em si. No fundo, é um bando de gente achando que é esperta e vai ganhar dinheiro fazendo nada, enquanto que pessoas abaixo dela vão estar ‘ralando’", explica. E isso vai descendo, como uma pirâmide.

"Os gráficos que eu monto ‘não falham’: ‘Olha, pessoal, se cada um de vocês trouxer duas pessoas, e cada pessoa trouxer mais duas, e assim vai, em seis meses vocês vão estar com X pessoas trabalhando para vocês enquanto eu mando as comissões para o banco de sua escolha...’. Aí eu invento premiações malucas, tipo: ‘A Juliana começou faz cinco meses, hoje ela é uma ‘Gold Member Alwards Platinun Prime’ e mostro uma foto da Juliana no Caribe, com um belo Mohito na mão", completa.

A pirâmide sofre ameaças porque, conforme lembra Antônio De Julio, o mundo é finito. "Certa hora não conseguirei mais trazer pessoas. E detalhe: eu SOU OBRIGADO a comprar um kit mínimo de produtos ou serviços por mês. A conta não fecha e a pirâmide vai desmoronando ‘de baixo para cima’", esclarece. "No caso da Telexfree, o Acre inteiro não daria conta de contratar todos os serviços da empresa, de tantas franquias vendidas, tamanha proporção da pirâmide."

O consultor pensa que pessoas de autoestima baixa, desempregadas, que estão descontentes ou desesperadas por ganhos maiores são mais suscetíveis a cair nesse golpe. Ele, que já foi convidado muitas vezes para entrar em esquemas como esses, diz que as pessoas que trabalham nisso se desesperam, acabam ficando sem amigos de tanto forçar a venda de produtos e suas vidas ficam piores do que já estavam. "A promessa de ganhos rápidos, de trabalhar de forma livre são alguns chamarizes. O ‘circo’ é muito bem montado e se você está em um momento delicado da sua vida, é uma presa fácil."

De Júlio explica que as pirâmides vêm do marketing multinível, muito comum nos Estados Unidos. E cita projetos honestos para exemplificar: "Na Natura e na Avon o foco é vender produtos para a sua rede de contatos. Eu não estou vendendo ‘franquias Natura’ ou ‘franquias Avon’, mas produtos. Não sou obrigado a comprar ‘kits mensais’ e sou remunerado pelo meu trabalho e não pelo trabalho dos outros". E declara: "Não existe almoço de graça. Ganhe dinheiro com o seu trabalho, não com o dos outros."

Para você que está em busca de emprego e quer ficar bem longe desse tipo de golpe, o consultor financeiro preparou um check list da pirâmide:

1) Eu venderei produto ou filiação? Se for filiação, é pirâmide.

2) Terei um compromisso mensal de compras? Se sim, é pirâmide.

3) Mostram algum "ranking" de pessoas bem sucedidas vendendo filiações? É pirâmide.

4) Prometem um ganho "sequencial", um gráfico de vendas que só sobe? Se sim, é pirâmide.

5) Por que o palestrante é tão bonzinho e está oferecendo isso pra mim? Sou uma pessoa "especial"?

O "esquema ponzi"

Antônio De Julio lembra que existe também outro tipo de golpe, o chamado "esquema ponzi". Ele não tem a estrutura de uma pirâmide, mas é muito comum também. Ele consiste na promessa de ganhos abundantes, muito acima do mercado, mas que na verdade depende da entrada de recursos financeiros das pessoas para se manter. O mais famoso foi o do Madoff, que inclusive pessoas famosas como Madonna entraram no golpe.

"Por exemplo, eu prometo 6% de lucro em operações de bolsa de valores por mês, faça chuva ou sol. Detalhe: 6% ao mês, com juros compostos, sem sacar o dinheiro = 100% ao ano. As pessoas fazem os aportes, eu honro os primeiros compromissos e ganho a confiança delas. Depois fecho a empresa, sumo com o dinheiro e fecho o esquema", diz.


"Outro caso recente aconteceu no interior, no qual pessoas bem instruídas caíram no golpe. Engenheiros que venderam suas casas para aplicar o dinheiro e hoje não têm onde morar."

Juliana Falcão (MBPress)

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