Crowdfunding: viabilize projetos com financiamento coletivo

Crowdfunding viabilize projetos com financiamento

Filme Cauby. Foto: divulgação

Você já ouviu falar em "crowdfunding"? O termo está em voga, e não é para menos: com esse sistema, fica muito mais fácil tirar um projeto do papel. Explicamos. "Crowd", do inglês, significa "multidão" e "funding", "financiamento". Juntando as duas palavras, temos o significado desse sistema: financiamento coletivo.

O cineasta Micael Langer, um dos fundadores do site Incentivador.com, conta que, antes do termo ser difundido, ele já tinha sua cabecinha trabalhando nesse sentido. "Tive a ideia há uns quatro anos, quando estava lendo a Lei de Incentivo (Cultural) e constatei que pessoa física também poderia contribuir com 6% de seu imposto de renda. Então pensei: ‘caramba, isso daí dava para financiar alguns projetos’."

Assim, em 2009, junto ao empreendedor Andre Averbug, criou o site, mas não usaram o termo "crowdfunding". "Achamos estranho usar termo americano", se justifica. Ele explica que muita coisa rolou antes que esse termo existisse. "Na verdade, crowdfunding é um braço de um modelo chamado crowdsourcing, que é o compartilhamento de recursos - ideias, projetos -, não necessariamente de dinheiro", esclarece, dizendo também que, antes do termo ser difundido, usava o equivalente "financiamento coletivo/pulverizado".

"O diretor do ‘Black Swan’ (Cisne Negro, em português, dirigido por Darren Aronofsky) fez seu primeiro filme, o ‘Pi’, com US$ 60 mil e conseguiu financiar o filme dele dessa forma. Foi uma espécie de crowdfunding analógico", completa.

Para Micael, tanto o crowdfunding quanto o crowdsourcing são tendências e, embora não tenham nascido dessa forma, foram consolidados graças a elementos da Web 2.0, como Youtube, onde as pessoas saíram da condição de meros consumidores e se tornaram produtores de conteúdo.

Sócio interessado

As vantagens do sistema não são poucas. Segundo o cineasta, o crowdfunding confere simetria a três pontas - empreendedor (produtor, cineasta, idealizador do projeto etc.), sócio (capitalista, que entra com recursos) e consumidores -, juntando consumidores e sócios. Unindo essas duas pontas, temos o sócio, que visa os lucros e não o sonho do empreendedor, e o consumidor, que demanda por conteúdo.

Langer confessa que certos projetos culturais se beneficiam mais do sistema, justo por não se encaixarem nos demais perfis de financiamento. "A Lei de Incentivo Fiscal tem um sistema viciado e um pouco perverso porque funciona no modelo de associação de marca. Por exemplo, ‘Bruna Surfistinha’ teve um gap institucional, já ninguém quis associar a ‘prostituta peladona’ à sua marca. Aí entra o crowdfunding."

Ele dá outro exemplo, dessa vez de um projeto que seu site adotou: uma pornochanchada - "polêmico e revolucionário", segundo o próprio Micael. Que empresa associaria um filme assim a sua marca?

Seja quais forem os projetos, duas coisas levam as pessoas a contribuírem com a causa: tema e autor. Imagine que você aprecia muito o trabalho de Allan Sieber, animador, que tem projeto no Incentivador.com. Você não sabe qual é o projeto, mas confia em seu trabalho, então contribuirá. Ou, quem sabe, você é corinthiana roxa e percebe que, ali, tem um documentário que relaciona os jogadores do Corinthians à política na época da Ditadura Militar. Mesmo sem saber quem é o diretor, você incentivará.

Como incentivar e ser incentivado? Você tem seu projeto e está animadíssima para receber incentivo. Uma freada, cowboy! No caso do Incentivador.com, Micael admite que a peneira está um bocado cerrada. Para que seu projeto seja aceito, não pode ter tema ofensivo, discriminatório ou preconceituoso. Em segundo, o criador (no caso, você) deve estar associado a uma pessoa jurídica idônea. "Pessoa física pode ser autor, mas tem que estar associado a uma pessoa jurídica da área do projeto", pontua.

Por último (e, talvez, mais complicado), tanto a pessoa física quanto a jurídica têm que mostrar que possuem capacidade de realização. Trocado em miúdos, você tem que ter nome e não estar disposta a manchá-lo, assim como a pessoa jurídica.

Agora, você não tem nenhum projeto, mas adora algo que procura financiamento no crowdfunding? Basta se cadastrar no site, escolher o projeto e voilá! Até porque a lista de projetos está longe de ser restrita: de documentários sobre Cauby Peixoto, CD da Danni Carlos, da humorista cearense Dadá Coelho, um projeto cinematográfico de três diretores, que usarão o mesmo elenco e equipe para três filmes diferentes, festivais de música, Meia Maratona de São Paulo, até a animação que satiriza novelas, "Mar de Paixão, de Allan Sieber, com todos os clichês possíveis. E não para por aí.


"Estou correndo atrás de pesquisas cientificas. Já pensou: o diabético ajudar na pesquisa da cura da diabetes? Não tem porque se restringir a projetos culturais. Você convence as pessoas que vão comprar teu produto, assim você o viabiliza. Eu sou inventor, tenho patente, sei como é difícil."

O lucro da empresa vem com a porcentagem de 10% cobrada em cada projeto concluído e, com os 5% cobrados pelo PayPal (que desenvolveu para eles um sistema inédito chamado "Order", equivalente ao sistema de pagamento das compras coletivas, onde seu cartão só vai ser debitado se o projeto atingir o valor mínimo).

Por Ana Paula de Araujo (MBPress)

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