Crise Financeira: o que fazer em época de recessão

Crise financeira

A crise financeira que abalou o mundo e trouxe uma onda ruim para o Brasil já afeta a carteira assinada de muita gente. A indústria automobilística é a que vem sofrendo mais e, portanto, a que tem tomado medidas para se ajustar à redução da produção. A consequência disso é a demissão em massa.

Mas o problema é que, conforme lembra o pesquisador Dieter Kelber, cada emprego direto dessa indústria carrega aproximadamente outros 20 empregos indiretos. “As empresas têm procurado medidas paliativas, como férias coletivas, para retardar o impacto, na esperança de uma diminuição dos efeitos da crise. Mas não há indicação que o fantasma das demissões possa ser eliminado”, diz ele, que é diretor-executivo do Instituto Avançado de Desenvolvimento Intelectual - Insadi.

O poder da crise, segundo Dieter, é enorme e afeta diretamente os trabalhadores. Mas essa redução dos custos em voga serve também para as empresas realinharem as reais necessidades de competências de seu capital humano. “Enxugam-se funções, revisam-se processos, antecipam-se aposentadorias, trocam-se funcionários melhor remunerados por outros com salários mais baixos. A ordem é sempre a mesma: sobreviver à crise”.

Dieter bem lembra que a situação não é novidade para as empresas brasileiras, já que crises aqui nunca faltaram. Quando temos um encolhimento do PIB, por exemplo, temos diminuição dos postos de trabalho. “Essa diminuição traz como conseqüência uma queda no nível dos salários e uma exigência de qualificação maior da mão de obra”.

Mas ele considera importante que se olhe para a crise, independentemente de seu tamanho, como uma oportunidade para ajustar e melhorar os nossos negócios. “Sempre surgem novas situações favoráveis para melhorias e essas são as que temos que aproveitar. O Brasil, pelo seu tamanho e diversidade, sempre tem oferecido boas oportunidades de negócio, mesmo em tempos de crise”, analisa.

Dieter afirma que a prestação de serviços continua sendo alternativa interessante, especialmente no que se refere à terceirização. “Nós não podemos reverter à crise, mas podemos amenizar suas conseqüências. Olhar os desperdícios é uma delas. Aplicar bem os recursos é outra”.

O pesquisador alerta ainda que é importante ficar atento à inflação. Quando o preço nos supermercados sobe, o que se paga a mais na alimentação deixa de ser investido em outros produtos de consumo. Assim, a cadeia produtiva sofre e, por conseqüência, os postos de trabalho.

Dieter, diretor também da Business Processes School, não vê uma luz forte no fim do túnel. A população do Brasil continua a crescer inversamente proporcional ao PIB. “Com o PIB crescendo menos que o previsto e necessário para o aumento da oferta de empregos, teremos menos postos de trabalho disponíveis. Ou seja, a previsão para 2009 em termos de emprego não é das melhores”.

A ordem, então, é fazer todo o esforço para se manter no emprego, investindo na atualização profissional, no networking e na dedicação. “Toda a atenção à preservação da colocação que se tem hoje deve ser dada. Pelo menos até que haja uma melhor sinalização do que realmente de fato vai acontecer na economia brasileira”.

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Por Sabrina Passos (MBPress)

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