Cresce a participação feminina na economia

Cresce a participação feminina na economia

É fato. As mulheres brasileiras, especialmente as da classe C, estão movimentando cada vez mais a economia brasileira. De acordo com uma pesquisa do Instituto Data Popular, elas detêm 37% da renda total da classe média - uma massa que deve atingir 158 bilhões de reais até o fim deste ano.

Os números significativos vêm de uma mudança profunda no perfil feminino da classe C. "Isso aconteceu em consequência do aumento da escolaridade feminina, o que elevou, também, os salários", explica o sócio-diretor do Instituto, Renato Meirelles.

Ele observa que houve um rearranjo da família brasileira de classe média. Historicamente, os homens desse setor eram mais machistas, o que foi sendo superado pela entrada das mulheres no mercado de trabalho. Mas elas continuam cuidando da casa e dos filhos, fato que exigiu uma adaptação.

"Como essas donas de casa não têm muitas horas para gastar na cozinha, por exemplo, cresceu a demanda por alimentos semi-prontos".

O estudo mostra que as mulheres de classe média são mais radicais que aquelas de setores abastados. Cerca de 30% delas são chefes de família, número que cai para 22% entre as classes A e B.

A pesquisa aponta ainda a grande participação do público feminino do setor C na renda da família. A mulher de classe média participa hoje com 41% da renda total familiar, enquanto nos setores A e B essa participação é de 25%.

O crescimento da participação feminina na economia modificou os padrões de consumo. Os dados são animadores para prestadores de serviços como a educação. Isso porque a classe emergente mostra uma conscientização em relação a esse investimento, ou seja, acredita que o estudo é base para um futuro melhor. Portanto, não só a mulher como seus filhos estão mais escolarizados.

A demanda por cosméticos e produtos de beleza também cresceu. A razão? De acordo com Renato, mais que pelo simples prazer de se sentir bonita, "a mulher de classe média quer se apresentar bem no mundo do trabalho".

Com menos tempo em casa, essa mulher prefere produtos mais práticos, o que favorece os alimentos congelados e eletrodomésticos que facilitam e agilizam a limpeza do lar.


De maneira geral, o papel feminino mudou drasticamente nas últimas décadas. Atualmente, temos maior poder de compra e decisão, mas não somente isso. "A mulher contemporânea deixa de ter um papel secundário e assume a posição de protagonista na sociedade atual", finaliza Renato.

Por Priscilla Nery (MBPress)

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