Se a CPMF voltar, como ficará o seu bolso?

Se a CPMF voltar como ficará o seu bolso

Que a pesada carga tributária brasileira corrói imensa parte do seu salário não é novidade, não é mesmo? Mesmo assim você já deve ter ouvido falar que um antigo e já extinto imposto pode ressuscitar no próximo ano: a CPMF. Ainda que venha com outro nome e alíquota inferior à anterior, muita gente anda com medo do estrago que esta contribuição obrigatória será capaz de causar no bolso do consumidor!

Criada com a prerrogativa de subsidiar gastos com a saúde pública brasileira, a CPMF começou a vigorar em 2007. Antes disso, porém, ela já havia surgido em 1994, sob o nome de IPMF. Para quem não se lembra, a cobrança incidia sobre todas as movimentações bancárias, exceto negociações de ações na Bolsa, saques de aposentadorias, seguro-desemprego, salários e transferências entre contas-correntes de mesma titularidade. Chegou a ter uma alíquota de 0,38%, mas foi derrubada pelo Senado federal em 2007. Em 2009, líderes da Câmara tentaram recriar um tributo parecido, batizado de Contribuição Social para a Saúde. Mas a proposta ficou parada.

"Se vier com a alíquota inferior, será algo insignificante no dia a dia do consumidor. No entanto, trata-se de um imposto em cascata, que incide em toda a cadeia produtiva. Assim, o preço final de muitas mercadorias acabará sofrendo certo aumento", diz o professor Claudemir Galvani, da Faculdade de Economia da PUC - SP. Ele ressalta, porém, que a volta da CPMF não deve causar um processo inflacionário. "Inflação significa aumento de preços mês a mês, o que não acontece neste caso. Portanto, não acredito que o consumidor terá de fazer grandes alterações em seu orçamento doméstico por conta da CPMF".

O economista Heron do Carmo, da USP, concorda. "A recriação do imposto causa, sem dúvida, um impacto negativo, mas os preços de alimentos na feira e no supermercado, por exemplo, dependem bem mais de uma questão de oferta e demanda para serem elevados. Além disso, o consumidor pode e deve negociar na hora das compras. Por conta deste assunto, ninguém precisa sair correndo ainda este ano para concretizar a compra, por exemplo, de um automóvel. O problema maior é a distorção que o imposto cria, pois afeta as pessoas de formas distintas".

E você, é contra ou a favor da volta da CPMF? Em meio à chiadeira, o que resta é acompanhar o desenrolar desta polêmica a partir de 2011.

Por Adriana Cocco

Comente