Consórcio de cirurgia plástica: será que vale a pena?

Consórcio de cirurgia plástica

O consórcio é um sistema de compra na qual um grupo de pessoas, organizado por uma empresa especializada, se reúne para comprar um bem que, sozinho, não conseguiria adquirir num prazo tão curto. A cada mês, um dos contemplados é sorteado e retira o dinheiro a fim de realizar o sonho.

Desde 2008, além de imóveis e móveis, foi aprovado também o consórcio de serviços, que inclui pacotes turísticos, gastos com saúde, reformas, entre outros. A cirurgia plástica, que também pode ser adquirida por meio deste novo segmento, não diferente em nada dos demais e, assim que o crédito é liberado, por meio de sorteio ou de lance, a pessoa pode fazer sua operação.

Segundo dados da ABAC (Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios) de março de 2011, serviços de saúde e estética ocupam o segundo lugar na lista dos mais procurados, perdendo apenas para o segmento de festas e eventos. O resultado é o seguinte: 29% para o primeiro colocado, 16% para saúde e estética e 9% para o turismo. O ponto mais interessante é que, quando comparado aos dados de outubro de 2010, é possível perceber uma retração em estética de 30% para apenas 16%.

"A versatilidade desse consórcio facilita sua aplicação nos mais diversos segmentos, desde áreas como saúde, passando pelos setores de educação e turismo, até a realização de festas e eventos como formaturas. A criatividade possibilita a viabilização de serviços de forma mais econômica e com prazos mais longos de pagamentos", explica Paulo Roberto Rossi, presidente executivo da ABAC.

O presidente da SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica), Dr. Sebastião Nelson Edy Guerra, por sua vez, acredita que, apesar de facilitar a aquisição do serviço como a plástica, o consórcio compromete a relação médico-paciente, porque na eventualidade de qualquer problema, é possível se isentar da responsabilidade que lhes competem. Além disso, a falta de regulamentação sobre as empresas e as diversas transições às quais estão sujeitas podem gerar transtornos ao consumidor.

"Para aqueles que desejam iniciar este processo, o importante é obter pelo menos as informações básicas sobre a empresa administradora de consórcios, como por exemplo, seu tempo de permanência no mercado, posicionamento e idoneidade. Também é importante obter, caso seja possível, informações com um contemplado que tenha recebido a autorização para realizar a cirurgia", indica o especialista.

Outro fator que deve ser levado em conta é conhecer o médico antes de realizar o procedimento e averiguar se o mesmo se encontra dentro das normas exigidas pelos órgãos fiscalizadores. O profissional deve ser membro da SBCP e não responder a nenhum processo por erro médico.

Dr. Guerra comenta que a relação entre o médico e o paciente ainda é de extremo valor para a ciência, por isso, antes de envolver uma terceira pessoa neste vínculo, é preciso que o paciente negocie diretamente com o médico escolhido. Certamente este profissional encontrará a melhor forma de atender seu paciente e é possível discutir preços e parcelar o procedimento sem ser necessário recorrer ao consórcio ou financiamento.


"O consórcio para a realização de cirurgias plásticas é totalmente contra a resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM), que proíbe os profissionais de participarem de qualquer tipo de atividade que mercantilize a profissão. Precisamos evitar a banalização dos serviços médicos estéticos", finaliza o presidente da SBCP.

Por Carolina Pain (MBPress)

Comente

Assuntos relacionados: finanças escolher cirurgião plástico