Comprando sem necessidade...

Comprando sem necessidade

O mundo ainda está para conhecer alguma mulher que não goste de fazer compras! Não que elas tenham necessidade absoluta dos novos produtos adquiridos. Quem, afinal, compra mais um par de sapatos apenas porque está precisando? Brincadeiras à parte, o fato é que comprar sem necessidade, com a desculpa de aproveitar aparentes bons preços, vem se tornando um hábito cada vez mais comum entre nós consumidoras, ainda mais agora com as ofertas tentadoras dos sites de compras coletivas, que chegam a apresentar descontos de até 90% em serviços para serem vendidos a um número mínimo de pessoas em apenas 24 horas. O risco de adquirir dívidas impagáveis, porém, pode ser maior que o prazer da compra!

A educadora financeira Suyen Miranda diz que o trunfo destes sites está justamente no sentido de serem "ofertas que podem acabar logo", um dos conceitos mais antigos e explorados em vendas. Assim, o melhor a fazer é analisar bem os limitadores das ofertas anunciadas para realmente ver se valem a pena.

"Quantas vezes pessoas compram produtos porque hoje, ou nesta hora, estão com preço mais em conta? O detalhe é que, em boa parte das compras, há limitadores para uso dos serviços oferecidos, como é o caso dos restaurantes que oferecem preço diferenciado, mas somente para consumo fora dos feriados e fins de semana - ou seja, será que valerá a pena comprar o cupom para ter que ir ao estabelecimento num dia que irá atrapalhar a rotina da pessoa? - além de outras ressalvas, como o caso de cupons que não podem ser transferidos, ou ainda de serviços desnecessários - que por estarem na promoção a pessoa se empolga porque poderá precisar daquilo "algum dia"... Agora, se a compra coletiva envolver algo que é realmente interessante, conscientemente desejado e com condições para ser aproveitado, vale aproveitar, desde que isso não gere dívidas".

Bom, mas a palavra "promoção" mexe mesmo com as pessoas e é capaz de levá-las gastar um bom dinheiro sem a mínima necessidade.

"Algumas palavras disparam reações aprendidas por várias gerações, como é o medo de baratas - efetivamente uma barata não mata uma pessoa e nem a ataca, mas o medo é aprendido pelo contexto social e na verdade tem muito mais de asco do que medo. No caso do conceito de promoção ele dispara uma sensação de facilidade e desafio, ao mesmo tempo. É um aspecto comportamental que faz com que a racionalidade deixe espaço para este sentimento que tem raízes na "caçada", que é do ser humano e se refere a "caçar oportunidades". Ao ver a placa de promoção, ou liquidação, para algumas pessoas - e não só mulheres - é como se o lado animal fosse estimulado numa caçada socialmente aceita, onde a caça está ao dispor do caçador. Só que em muitos casos o caçador nem gostaria tanto assim de ter esta "caça" nas mãos.

Quando transportamos este cenário de "caça" para o cotidiano vamos entender porque certas pessoas literalmente se "embriagam" com a compra não pensada, tal qual um animal que encontra uma presa mesmo quando não está faminto. A partir do momento que entendemos quais estímulos falam mais alto e afastam nossa racionalidade, devemos procurar manter a consciência para assim evitar um descontrole, que no caso dos animais seria a caçada terminar em morte; no caso consumista, é a compra terminar numa dívida por vezes de inviável pagamento", diz Suyen.

Então, sejamos racionais e vamos às dicas para nos contermos diante das compras desnecessárias.

"Um exemplo simples é deixar cheques e cartões de crédito em casa e andar com dinheiro suficiente para a rotina diária; se a compra for realmente importante a pessoa tem que voltar para casa e analisar se vale mesmo a pena adquirir o objeto. Fato é que muita gente compra por impulso porque a forma de pagamento via cartão ou cheque não parece "envolver dinheiro" e dá uma sensação de conquista sem dificuldade. Pagar em dinheiro implica em ver o valor e entender o que ele representa em termos de horas de trabalho...".

Mas, amiga, se o seu desejo falar mais alto e você cair na tentação de comprar sem necessidade, acredite: nem tudo está perdido diante de seu extrato bancário. Veja as orientações de Suyen Miranda para não desorganizar totalmente seu orçamento mensal.

"Quando há um volume de pagamentos maior do que a capacidade de pagar, somente por meio de negociações e criação de oportunidades para um extra será possível colocar o trem do consumo de volta nos trilhos. Como estamos em dezembro, uma ideia é usar parte do 13° salário para quitar as dívidas vindas destas compras impulsivas e adotar a estratégia de usar menos cartão e cheque, procurando pagar o necessário à vista.


Se a pessoa tem um bom discernimento de seu comportamento de consumo mas pode "perder a cabeça" por conta dos estímulos natalinos, vale comprar com cartão somente o que é preciso e já providenciar o valor para quitar a fatura do cartão logo que ela chegar. Gosto de lembrar que depois da euforia do consumo de dezembro há o famoso "momento pagamento" de janeiro, com IPVA, impostos, matrícula escolar, material didático... e os cheques pré-datados que foram pré-datados para um determinado dia que, enfim, chegou!".

Por Adriana Cocco

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