Compras de Natal - planeje agora para não estourar o cartão

Compras de Natal  planeje agora

Segundo pesquisa encomendada pela Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços) ao Instituto Datafolha, o uso de cartões de crédito, de débito e de rede/loja pela população aumentou de 68%, em 2008, para 72,4%, em 2011. Além disso, os meios eletrônicos de pagamento correspondem a 54% do faturamento de estabelecimentos comerciais.

E para os desavisados, vem aí mais um agravante: em 2010, a parcela mínima do cartão de crédito era de 10% do valor integral. No meio do ano passou a ser de 15% e em 2012 a porcentagem mínima será de 20%. Com esse aumento - anunciado, mas pouco compreendido por muitos consumidores - fica a pergunta: como fazer as tradicionais compras do fim de ano sem estourar o cartão de crédito?

Para o economista Henrique Puccini, o primeiro passo é planejar. Sempre. "No final de ano acabamos gastando o que temos e não temos, muitas vezes iniciando o ano seguinte mais endividado do que antes. É essencial ter o controle das entradas adicionais, como o 13º salário, e avaliar as despesas previstas e necessárias a partir disso", indica. "Dessa forma, será possível, além de quitar dívidas, avaliar o valor que poderá ser aplicado nas compras de final de ano."

Este planejamento, conforme explica Henrique, deve ser realizado levando em conta o comportamento mensal de gastos e a renda da família. Para isso, nada melhor do que recorrer ao famoso caderninho ou planilha de despesas. "A partir dos apontamentos, é possível conferir onde, quando e como o dinheiro tem sido investido. Organizar os gastos tradicionais de fim de ano consiste em diminuir as despesas desnecessárias e valorizar o dinheiro conquistado com o trabalho do ano todo".

Escolhidos os presentes é hora de pagar. A dica de Puccini é, sempre que possível, pagar no ato da compra com dinheiro. Dessa forma, o cliente pode barganhar e fazer o dinheiro render mais. Se for comprar parcelado, por meio do cartão, seja consciente. "Aproveite a carência no tempo de pagamento do cartão quando a loja não der desconto na compra do produto escolhido. Isso porque o dinheiro aplicado na poupança até o pagamento da fatura pode render mais do que o desconto dado pela loja no ato da compra".

O economista afirma que um erro do consumidor é comprar e investir o dinheiro pensando na parcela e não nos juros praticados. Há famílias que tomam essa atitude e se dão bem no final, mas devem estar cientes de que estão pagando um adicional por isso. "Temos uma falsa impressão de que não há custo nesse prazo estendido, mas ele está embutido no valor total do produto", alerta.

"Um exemplo é um computador que é vendido no fim do ano por R$ 1.000 à vista. Caso comece a pagar em janeiro, o valor será de R$ 1.150, e daí parcelado. Portanto, vale sempre esclarecer as taxas e o valor no crediário (a prazo) ou no ato da compra. Assim saberemos se aquele valor cabe no bolso e como negociar de forma transparente", completa.

A economia também pode ser feita na hora da ceia. Uma sugestão do economista é dar preferência aos produtos da estação, para ter uma mesa mais brasileira, diversificada e com preços justos. Outro item essencial é a pesquisa de preços, principalmente nos itens importados, que devem oscilar com o aumento do dólar nesse período.

"Para os que possuem grandes famílias ou amigos, vale pensar numa compra coletiva em mercados de atacado. Certamente há economia, porém é importante ter um local para estocar os itens e confiar em quem faz a compra pelo grupo. Bacalhau, panetones, frutas secas, azeitonas e bebidas podem ter um amplo desconto nessa modalidade", comenta.

E sabe aquele planejamento feito antes dos gastos? O dinheirinho guardado pode ser bem investido por quem deseja reformar e mobiliar a casa. Mas atenção: este tipo de compra é feito sempre após as festas de fim de ano! "Passadas as comemorações, todas as grandes redes nacionais e as regionais entram no período de queima de estoque. Os descontos generosos de 70% ou até 80% podem auxiliar e garantir a geladeira ou televisor novo em casa", lembra Henrique.

E ressalta: "Muitas vezes o valor deve ser pago à vista! Por isso, cuidado com os presentes antecipados de Natal, de forma que seja feita uma reserva pensando nessas compras depois das festas. Aos que fizeram uma poupança ao longo do ano, aqui é um excelente momento para comprar!"


O cartão de crédito pode ser um aliado nesse final de ano, mas também pode um vilão no começo do ano. Puccini lembra que antes de sair comprando, é essencial delimitar um valor para gasto, tendo como base uma porcentagem da renda e reservando um adicional para os imprevistos do mês. "O consumidor deve ter cuidado com o prazo e as taxas de juros praticadas pelas varejistas, procurando saber se eles trabalham dentro dos valores de mercado", finaliza.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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