Comprar imóvel e dar o antigo de entrada

Comprar imóvel e dar o antigo de entrada

O mercado de imóveis está aquecido. Houve crescimento da economia do país, a renda da população aumentou e o desemprego diminuiu. O cenário parece bem propício para adquirir um novo imóvel, porém, o que deve ser feito com o antigo? Será melhor vendê-lo antes de fazer a nova compra ou é melhor entregá-lo como entrada do pagamento?

Segundo Luiz Roberto Calado, vice-presidente do Ibef (Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de São Paulo), a avaliação de um imóvel é feita de acordo com o metro quadrado da região. Porém, variantes como o tempo da construção, estado do local e necessidades de reformas também modificam o valor do patrimônio.

"Vamos usar como exemplo um apartamento dos anos 1960: ele tem um espaço muito maior na área de serviço, mas falta infraestrutura para cabos e outras instalações. Um apartamento novo já tem uma área mais funcional, vagas na garagem, etc.", revela o especialista.

O que acontece é que, ao optar por dar o imóvel como entrada para um novo, o futuro comprador deve levar em conta que a incorporadora vai estipular um preço, sem se preocupar com o valor de mercado ou com o que poderia ser vendido em outra circunstância.

"Gosto de fazer a seguinte comparação: dar o imóvel como entrada para um novo é como dar o carro antigo numa concessionária, você dificilmente vai fazer um negócio muito bom. Quando se vende um imóvel no mercado, é possível maximizar o preço", explica Calado.

Avaliar a situação do mercado imobiliário é muito importante, porque podem existir dois tipos de cenários. No primeiro, com os preços estáveis, é válido vender antes o imóvel antigo e depois comprar o novo, porque certamente será possível conseguir um valor melhor do que o da incorporadora. "Num segundo cenário, no qual os preços dos imóveis estão aumentando, torna-se arriscado vender antes de comprar, porque pode ser que, com o valor arrecadado na venda, já não seja possível comprar nada bom", analisa o economista.

Além disso, guardar dinheiro antes de trocar de imóvel é sempre válido para evitar qualquer problema tanto na venda do antigo, quanto na aquisição do novo. Ter esta reserva vai possibilitar que o futuro comprador tenha mais escolhas e renda para adquirir o lugar sonhado.

Luiz Calado orienta que antes de sair à procura é preciso que o interessado decida o que realmente necessita, porque é comum se arrepender depois de comprar algo que não é adequado. "Quantos quartos a família precisa? Por exemplo, um casal compra um apartamento com três quartos e tem dois filhos, mas um deles tem 18 anos e quer morar fora. Será mesmo necessário um imóvel com três quartos?" questiona. "O inverso acontece com os mais idosos. Quando alguém do casal morre, a tendência é que vá morar na casa de um dos filhos, por isso é válido ter um local para que eles fiquem confortáveis. Quero uma sala com quantos ambientes? Eu vou usar? Vale pensar muito antes de sair para visitar os imóveis."

Piscina, quadras, saunas e playground também devem ser analisados com o mesmo cuidado. Geralmente, as pessoas se empolgam ao saber de todos os serviços comuns que os edifícios possuem, mas não levam em conta que praticamente não vão aproveitar esses lugares, seja por falta de tempo ou até mesmo por falta de interesse.


Por isso, opte por vender o antigo imóvel antes de fazer a nova aquisição, porém, não se esqueça de saber como está o mercado e compreender os riscos que corre ao fazer tal transação. Escolha com cuidado a nova propriedade, controle a empolgação e, certamente, você fará uma boa compra.

Por Carolina Pain (MBPress)

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