Comprar imóveis só depois da Copa?

Comprar imóveis

Foto: Mareen Fischinger/Corbis

A Copa do Mundo está chegando para deixar tudo mais caro. Será que essa tendência também se verificará no campo dos imóveis? Para locação de alta temporada, talvez, mas especialistas afirmam que as coisas não se relacionam quando o assunto é a efetiva compra dos imóveis.

O advogado Marcelo Tapai, presidente do Comitê de Habitação da OAB/SP, dissocia o torneio mundial de futebol do mercado imobiliário. "Para compra e venda, não vejo relação entre Copa e imóveis. É difícil imaginar que um estrangeiro pensasse em investir em imóveis no Brasil porque veio assistir a um jogo e se apaixonou pelo país ou viu um nicho para investimento", explica.

Sobre a relação que alguns podem fazer com a crise imobiliária dos Estados Unidos, o presidente do comitê analisa: "O Brasil tem um mercado absolutamente diferente do americano. Olhando para o nosso, temos um índice de inadimplência que não chega a 2% e apenas cerca de 8% do PIB fica comprometido para financiamentos imobiliários. Mesmo que haja uma parada no mercado de imóveis, não é suficiente para quebrar o mercado como um todo".

Aluguel de imóveis: cuidado!

Uma coisa é certa: a locação está, sim, mais cara para a época da Copa. Como exemplo, há imóveis em Itaquera com locação pretendida de R$ 100 mil para o período de 20 dias - algo surreal, mesmo estando próximo ao estádio do Itaquerão. Portanto, se você planeja aluguéis em alta temporada e está a fim de gastar muito dinheiro, pesquise bem para não entrar em roubadas.

Quanto à compra efetiva de imóveis, os juros dos financiamentos tendem a ficar estáveis, acompanhando as variações da taxa Selic. "É importante lembrar que, embora com valor alto, financiamento imobiliário é uma das modalidades de financiamento mais baratas no país, especialmente se comparado ao cartão de crédito, cheque especial ou empréstimo pessoal e de veículo", ressalta o especialista.

Na hora de escolher em qual imóvel investir seu dinheiro, pesquise os que tiverem localização, área e infraestrutura semelhante, assim você conseguirá perceber alguns dos abusos cometidos por vendedores de má fé.

Se você prefere adquirir um imóvel na planta, esteja preparada para atrasos na obra e grandes riscos. Não planeje sua vida em função desse imóvel e tenha um plano B caso não receba na data e forma que planejava.


Observe sempre o saldo devedor, como alerta Tapai: "Ele é permanentemente corrigido pelo INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) até a entrega da obra. Parcelas muito baixas durante a construção geram um saldo devedor muito grande e, não raramente, maior que o valor inicial da compra".

Para que isso não ocorra, previna-se fazendo cálculos projetados da evolução da dívida para conseguir financiá-la quando o imóvel estiver pronto. Para não levar calote, pesquise o histórico da empresa que vai dar andamento à obra, conheça sua própria saúde financeira e procure reclamações de outras pessoas. Assegure-se de vez consultando um especialista para não ser engolida pelas frequentes especulações financeiras.

* Serviço: Marcelo Tapai, advogado presidente do Comitê de Habitação da OAB/SP

Por Juliany Bernardo (MBPress)

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