Como limpar o nome sujo?

Como limpar o nome sujo

Deitar a cabeça no travesseiro e dormir com a consciência tranquila por estar com as contas pagas e o nome limpo é o desejo de muitos brasileiros. É fato que para evitar complicações com credores é necessário gastar menos do que se ganha. No entanto, o mundo real nem sempre permite que as coisas funcionem assim. Muitas pessoas, por não conseguirem arcar com as próprias despesas, acabam atrasando o pagamento das contas e ficam com o nome sujo em instituições financeiras.

Uma prestação aqui, um parcelamento ali, uma despesa que é jogada para outro mês, e quando se menos espera, o nome aparece em cartaz nos registros de instituições como a Serasa ou o Serviço de Proteção ao Crédito - SPC. “Conseguir quitar as dívidas é o sonho de mais de oitenta milhões de brasileiros”, calcula o educador financeiro Reinaldo Domingos, de São Paulo. Para ele, o marketing publicitário induz as pessoas a comprar. “É colocado na vitrine aquilo que o consumidor quer. E não precisa ter dinheiro, pode-se parcelar ou fazer uso do cartão de crédito”, fala.

Com as inúmeras facilidades que o comércio oferece, muitas pessoas se afundam em dívidas e ficam com o nome sujo. Segundo Reinaldo, quem está com o nome comprometido fica impedido de fazer compras que não sejam à vista, já que a ferramenta de crédito é bloqueada. “Atualmente, os estabelecimentos conseguem saber quem está com o nome sujo de maneira rápida e fácil. A Serasa, por exemplo, oferece a consulta automática, por telefone”, explica.

Diante dessa realidade é preciso adquirir inteligência financeira para poder sair do vermelho. Pensando nisso, Reinaldo idealizou a metodologia “disop”, que se baseia em quatro pilares: diagnosticar, sonhar, orçar e poupar. Para ele, quem seguir esses passos de maneira correta conseguirá quitar as dívidas e realizar os sonhos com êxito.

“Quando a pessoa está nessa situação é preciso fazer a lição de casa. Levantar o que ganha e o que gasta e colocar no papel, fazendo uma análise financeira,” explica o educador. O diagnóstico aponta se a pessoa está endividada, equilibrada financeiramente ou é um possível investidor. “Caso a pessoa esteja endividada, é preciso detectar para onde está indo o dinheiro que ele recebe durante o mês. Quem faz esse procedimento sempre leva uma surpresa, quando vê que está gastando a mais”, declara.

O próximo passo é conversar com a família e ver quais são os objetivos que desejam realizar, como liquidação de dívidas, independência financeira ou bens materiais, por exemplo. O terceiro degrau a ser percorrido é orçar aquilo que se deseja e o último passo é poupar o dinheiro que sobra do orçamento e decidir qual será o destino dele.

Se tiver uma dívida, pode-se negociar o débito ou guardar para utilizar mais tarde. Reinaldo explica que só se deve procurar os credores uma vez que se tem certeza de que terá condições de pagar. “De nada adianta limpar o nome agora e ficar com ele sujo daqui a três meses por ter entrado em uma nova dívida”, diz.

Para ele, o mais importante é expor a real situação à pessoa ou à instituição. “O melhor a fazer é ligar para o credor e colocar a situação na mesa. Não se trata de virar um caloteiro, mas sim, fazer com que a pessoa entenda a situação que está passando e seja compreensivo”.

As pessoas devem ficar alerta com relação a dívidas que dizem respeito a bancos. “Se uma pessoa tem uma dívida de R$ 100 mil e ganha apenas R$ 2 mil, não terá dinheiro para quitá-la. Sendo assim, o melhor é esperar o banco propor um acordo que seja bom para os dois lados”, informa. Mas é preciso guardar o dinheiro para o momento em que a instituição quiser fazer acordo.

Outro item que deve ser observado na hora de um acordo para quitar uma dívida é a retirada do nome da instituição financeira. “O cliente deve solicitar no contrato que o nome saia da Serasa ou do Serviço de Proteção ao Crédito, mesmo que mesmo que a dívida seja parcelada”, sugere.

Além dos cuidados de administração de despesas, também é preciso ter controle sobre o cartão de crédito e o cheque. “Tanto um como o outro são métodos de compra que pedem cautela. Não se pode, por exemplo, ter três cartões quando se tem apenas um salário”, explica Reinaldo.

Mais do que ter inteligência financeira, o melhor para não ficar com o nome sujo é não entrar em dívidas. “Às vezes, é melhor esperar um pouco e poupar o dinheiro do que comprar na hora e ter o risco de ficar no vermelho”, ensina. Além de evitar fazer dívidas para a própria subsistência, Reinaldo também diz que entrar como fiador ou emprestar o nome para uma compra são atitudes arriscadas que devem ser evitadas. “Já está difícil manter o nome limpo com as próprias despesas, o que dirá com as despesas alheias”.


Segundo Reinaldo, que também é autor do livro “Terapia Financeira” (Editora Gente, 2008) as pessoas não devem adorar o dinheiro, mas respeitá-lo. “É preciso saber para onde está indo cada Real que entra na conta bancária, para poder saber de onde vêm os excessos e como cortá-los”, finaliza.

Por Cínthya Dávila (MBPress)

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