Como lidar com a inflação no dia a dia?

Como lidar com a inflação no dia a dia

Desde o início do ano os brasileiros têm sentido os reflexos da inflação no bolso. Os paulistanos, por exemplo, precisaram suprimir alguns gastos secundários depois que a tarifa de ônibus subiu em 11% elevando o número da passagem para salgados R$ 3.

Miguel de Oliveira, vice-presidente da Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) explica que a maioria dos setores da economia serão afetados por essa escalada dos índices de inflação. E nesse novo quadro o orçamento doméstico deverá ser um dos primeiros elementos alterados.

É melhor que o consumidor brasileiro se acostume logo com a idéia de deixar de lado sua marca preferida para substituí-la por uma mais simples. Isso porque, de acordo com o economista, até junho a inflação deve ultrapassar o índice de limite fixado pelo Banco Central, de 6,5%.

Oliveira aponta dois caminhos que o consumidor brasileiro pode seguir a fim de se adaptar à nova situação inflacionária. "Ou vai ter que mudar seus costumes ou então reduzir os produtos que consume. Ou troca de marca ou reduz a quantidade", aponta o economista. "Quando acontece um fenômeno desses, as pessoas acabam comprometendo as questões de lazer: deixam de ir ao cinema, deixam de alugar filmes, deixam de jantar fora", complementa.

Para ele, o consumidor brasileiro deve mudar de hábitos, ou seja, a comprar produtos diferentes que estejam com um preço mais baixo. "Pesquisar e substituir marcas é o segredo. Nem todos os produtos subiram [de preço] da mesma forma. Enquanto algumas aumentaram 10%, outras aumentaram 2%, por exemplo", aconselha.

O vice-presidente da Anefac ilustra a alta inflacionária exemplificando que desde reajustes de contratos de aluguel - que são feitos anualmente - até os preços dos cabeleireiros podem aumentar. De acordo com ele, o crescimento da inflação deste ano possui uma natureza diferente da ocorrida em 2010.

"No caso especifico da inflação que tivemos anteriormente, que atingiu os alimentos, o principal motivo foi o consumo mundial, que estava maior que a oferta. Agora, exatamente, os serviços estão subindo bastante. No transporte você teve um problema muito sério na entressafra do álcool, por isso os preços subiram".

Oliveira acrescenta que, sobretudo na questão dos serviços, o aumento de preço reside no problema da indexação. Isso acontece quando, com medo de um aumento da inflação, o produtor ou vendedor eleva o preço de seu produto antes de qualquer alteração real no quadro econômico.


O economista explica que, além da indexação, o crescimento nacional é um dos causadores do aumento inflacionário. "Na medida em que as pessoas estão sendo empregadas, consomem mais. O crescimento da classe C, a possibilidade de crédito e o número de pessoas que adentraram o mercado de consumo não estão compatíveis com a quantidade de produtos disponíveis", esclarece. Segundo Oliveira, a subida de preço das commodities também explica o aumento da inflação.

Por Giulia Lanzuolo (MBPress)

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